domingo, 1 de março de 2009

O samba da crioula doida (eu)

Quando tudo parece estar de ponta cabeça mas começa a fazer muito sentido, o que você pensa?

Seu ritmo é diferente? Você se preocupa se vai conseguir o que deseja? Você deseja algo?

Você consegue ser diferente e mesmo assim aceita pelos outros?

As pessoas chegam a dizer que você é meio lesada (o) e te olham esquisito às vezes? Elas riem achando que você está brincando quando você não está?

Ainda há esperança em você? Você olha para o seu futuro mesmo sem fazer planos? Está tudo em paz quando você faz isso?

Você quer mudar o mundo, nem que seja o seu?

Você conhece suas qualidades? Tem coragem de assumir seus defeitos? Você gosta da vida que leva?

Você é humano?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

I don't wanna be Free-La.

Como vocês bem se lembram, há uns posts atrás eu estava desesperada atrás de um Freela.Pois bem, naquele mesmo dia se não me engano, como boa desinformada e iludida que sou, comecei a mandar e-mails para produtoras, mas nada muito explicativo. Coisas assim: "Olá, gostaria de saber para qual e-mail posso enviar meu currículo e algumas pequenas demonstrações de trabalho. Trabalho com o Software tal e tal, meu telefone é tal. Agradeço a atenção, Thaís."

Foi apenas isso. Incrivelmente, vindo do mundo dos sonhos dos desempregados e dos ardentes por Freelas, o dono de uma produtora ligou no meu celular super interessado. Vocês tem idéia do que é isso?
Isso é praticamente impossível. E eu não mandei portfólio nem nada, só um e-mail besta na esperança de um dia qualquer me aparecer uma resposta. É como desejar conhecer o Morgan Freeman e de repente o Morgan Freeman tocar sua campainha dizendo: "Olá, gostaria de me conhecer?"

Pulando de emoções conversei com o cara e marcamos uma entrevista.Passei meu almoço todo do dia seguinte montando meu Potfólio em DVD, fiz um menu animado superlativamente delicioso e escolhi meus melhores vídeos. Fui para a entrevista. Esqueci de dizer pra vocês que era uma produtora de casamentos, mas na minha cabeça, eu receberia bem para editar um casamento, mas nem de longe eu estava certa, e não sei o que me fez pensar essa idiotice. Na entrevista conversamos, ele viu trechos de alguns dos meus vídeos, numa folha impressa expliquei o que continha em cada vídeo e o estilo de cada um.

Ele me mostrou trechos de alguns casamentos editados por ele mesmo e enquanto eu assistia pensava: "Mas que merda! Sou capaz de fazer isso cozinhando Cremogema e dançando Macarena ao mesmo tempo."
Eu me achei capaz de fazer uma edição muitíssimo melhor e com uma trilha sonora muitíssimo melhor, mas tudo bem, calei minha boca e disse que achei ótimo, embora pudesse mudar algumas coisas. Aliás, qualquer um é capaz de fazer uma edição melhor que aquela, cuja trilha sonora do Making Of era uma música da Rihanna. ¬¬
Quem faz isso, cara? Quem faz isso? Nem a própria Rihanna seria capaz de colocar sua própria música em seu próprio casamento! Beleza.

O cara me deu 6 fitas de um casamento pra editar e eu fui toda feliz, e conforme o combinado, negociaríamos o valor ao final do trabalho, já que eu tinha dito a ele que eu havia editado quase tudo nessa vida menos vídeos pornôs e casamentos.
Então como eu era nova no mundo dos freelas e das edições de casamento, ficou por isso mesmo.Tipo, o cara disse que me pagaria o valor de mercado mas queria ver o trabalho pronto. E eu achando lindo. Só depois fui pensar que onde já se viu você se matar de trabalhar e só depois negociar o valor? Só uma palhaça como eu, óbvio.

Então levei as fitinhas pra casa, depois pro trabalho e me dei conta de uma coisa: Como é que faço um negócio desses sem ao menos saber qual o valor de mercado? Pois bem, não me perguntem a cara que fiz quando descobri que em média essas edições custam 200 reais. 250 reais já é quase o limite. Eu quis simplesmente roer todas as fitas ao perceber a merda onde eu tinha acabado de me meter.
Eu tinha dito a ele que o tempo que eu teria disponível seria das 18:00 às 23:00 e aos fins de semana, mas até aí, como eu disse, eu achei anteriormente que eu receberia o justo, porque cá entre nós, na minha concepção, pra editar 6 fitas de pura chatisse nupcial eu deveria receber pelo menos uns mil reais.
E cada fita variando o tempo de 40 minutos à 1 hora e meia. Aliás, acho que ninguém aqui faz idéia do quanto demora uma edição desse tipo.
Mas é isso que dá.
Sonhadora, inexperiente e iludida, quer mais o que? Um belo salame no rabo.

Semana passada fiquei aqui até às 22:00 apenas capturando fitas. Faltam 3 delas.

Comecei às 17:30 de hoje.Eu já tenho um trabalho filho da puta no meu emprego fixo, que é editar, editar, editar, editar coisas difíceis e me virar em 12 quando o câmera caga gostoso e não tem imagens pra cobrir as coisas. Tiro leite de pedra e agora estou eu aqui, com 6 fitas de um casamento insuportável pra editar cuja noiva se assemelha ao rato do Ratatouille.

Ficarei até pelo menos umas 22:30, triste, trabalhando feito uma cachorra parideira, e tudo por apenas...argh...200 reais...que eu ganharia em apenas 1 dia vendendo côcos na praia e ainda me bronzeando. E uma pequena surpresa: Sabe por que o cara não me deu prazo pra esse cacete?Porque depois vi nas fitinhas que o casamento é de 2007. Isso mesmo, é apenas um teste que ele tá fazendo comigo. Ou seja, trabalharei feito um cavalo no cio, ganharei apenas 200 reais para absolutamente nada! =D Não é uma maravilha? Me disseram assim: "Meu, devolve essa merda, inventa qualquer coisa!"
E por um minuto eu pensei em desistir mesmo.
Minha produtora, que já foi produtora da Rede Mulher e o Escamball, me disse: "É, realmente você não sabe o que é Mercado de Trabalho."
Eu sei o que é a merda de um mercado de trabalho, não no quesito edição, mas eu sei.Mas e aí? E daí que eu não sei meu? Dane-se que eu não sei! Agora eu sei! Agora eu sei e não quero mais! Não quero ficar fazendo (Gerúndio! Argh! É estress...) freelas de festinhas esdrúxulas e casamentos bregas onde se cantam ao som de violas "garotos são só garotos". Quem toca essa merda num casamento? Quem-toca-essa-merda-num-casamento? Eu gosto de ouvir essa merda no rádio enquanto lavo louça, no banho, em lojas Renner, mas num casamento?A captura deu pau, o software deu pau, eu dei pau, eu to cansada.

E só vou dizer uma coisa, eu não me importo em chegar pro cara e dizer que não vai dar pra fazer essa merda por qualquer motivo, mas o que pega é que comecei a me importar mais com que os outros vão pensar ao meu respeito. Vão achar que eu não levo as coisas a sério e que compromisso é compromisso e que se eu não dou conta no primeiro obstáculo e não vou dar conta de mais nada. Todo mundo fica com grilos de que "o que os outros vão pensar"? Todo mundo é assim. Os outros são uma bosta melenta. Alguns se importam mais, outros menos, mas todos são.
Mas acontece que isso não é um obstáculo. Isso é um negócio que eu não quero fazer. Simplesmente isso. E dizem que ganhei experiência com isso...ganhei mesmo. Por exemplo, coisas que aprendi com isso tudo:

-Só vou aceitar freelas de pessoas que eu conheço e que vierem me procurar (e me pagarem a partir de 500 contos)

-Quando eu for casar, irei de coturno, boné e cantarei minha própria trilha sonora. Tenha certeza que meu casamento não vai ser um porre como esses casamentos que são um porre.-200 reais é uma sacanagem pro trampo que dá editar um casamento.

-Noivas já me irritavam e agora me irritam ainda mais

-Se eu ver a noiva Ratatouille um dia na rua vou esmurrá-la até convencê-la de que o casamento dela foi mais entendiante do que ver uma tartaruga adormecer no solo.

-Eu realmente adoro as coisas que edito, nunca pensei que seminários com velhos seriam tão prazeirosos de editar. Adoro velhos.

-Acho que eu tenho que desistir mesmo da idéia de ser persistente nas coisas que quero. Eu não sou, nunca vou ser, fato consumado, desisto das coisas porque elas me entendiam rapidamente e porque nunca são do jeito que acho que são. Nunca. Acho que nunca vou achar algo que atinja às minhas expectativas.

-Acabei de decidir que vou devolver essas merdas de fita, não tô com saco de editá-las porque afinal de contas "vivo dentro de um cubo", não tenho noção de mercado de trabalho e preferia estar tomando água de côco no Maranhão com a brisa do mar batendo na minha cara magra.
Eu juro que se esse cacete tivesse prazo eu faria mesmo depois de saber que eram 200 contos, afinal, prazo é prazo e eu dei minha palavra. Mas não vou sofrer feito uma vaca no abate por algo que não vai me fazer a mínima diferença e nem vai fazer diferença pro cara.

Quem sabe um dia se eu tiver pai e mãe passando necessidade, filho berrando no meu ouvido e dívidas que vão me foder de juros, eu não tome jeito, não é mesmo?Por enquanto não vou me desgastar. Tenho um emprego, sempre fiz tudo direito e cumpri com meus deveres, nunca fui uma irresponsável, mas em matéria de Freelas, eu realmente não quero mais essas merdas. Então por favor, não me passem freelas, tão entendendo? Essa atitude minha me tirou 12 kg da cabeça. I'm Free!!!! But I Don't wanna be Free-la Anymore! =P

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Eu vi gnomos

Aqui em casa tem o Bill, que engole as moedas e é super moderno. Um cão de porcelana todo tatuado, parece um rapper. Tem a pig, que é enorme, quentinha e rosa, morro de ciúmes. Tem o buda roxo, tem o santinho que ganhamos porque éramos pombinhos em lua-de-mel e ele segurava um pombinho.

Tem o gatinho japa com a pata pra cima e um bichinho que você pinta um olho e faz um pedido, depois pinta o outro quando o desejo realiza. Lá fora, tem o escorpião, a rena e o urso polar que chama Oso.

Todo dia, assim que a casa fica vazia, eles tiram as garrafas de vodka do freezer, puxam a tequila 1800 do bar, abrem o whiskão 12 anos e se preparam para aguentar imóveis mais uma noite ouvindo a tonelada de besteiras que se fala por aqui.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Estranhos.

Chamaram de estranhos
Os homens que comeram doce mais do que deviam
As meninas que fizeram sexo mais do que elas podiam
Os homens que preferiram dormir ao invés de partir
Aqueles que urraram de dor e não conseguiram fingir
Aqueles que voaram alto sem mesmo sair do lugar
Humanos que se esqueceram mas não se esqueceram de amar
E quem levantava à noite pra colorir e cantar
E outros que resolveram dizer ao invés de falar
Adultos que não correram pra aliviar o atraso
Jovens que não morreram por não se lembrarem do prazo
Avós que calçaram botas e se deitaram no chão
Formandos que se mudaram para os confins do sertão
Aqueles que ignoraram palavras, tendências e placas
Doentes que estavam morrendo mas se levantaram das macas
Garotas mal educadas que um dia criaram asas
Voaram pro céu e foram embora pras suas casas.
Chamaram de estranhos
Homens.
Homens que carregavam violas
Canetas, pincel
Homens que vivem no inferno
Mas dentro de si têm o céu.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Bicho preguiça alta, morena, 27 anos.

Levanto. 9h55, com o telefone. Deixo tocando.
Era o Rô. Ligo, rio, falo. Desligo.
Mando mensagem pro meu gato.
Escovo os dentes ligando a TV.
Olho pra baixo, tiro um cabelão do chão.
Volto pro banheiro, passo creme no rosto. Prendo o cabelo. Xixi.
Cozinha. Como uvas. Olho pro chocolate. Ignoro. Olho pra cortina.
Um ano e meio sem lavar, é hoje. Tiro ela, caio com ela. Levanto. Jogo ela na máquina.
Mudo o dia do calendário Seicho No Ie.
Abro a internet no computador. Gmail, Uol, Te dou um dado, Estadão, Chá, Orkut.
Ligo pra mãe, ajuda teórica com o jantar pra galera na sexta.
Tem colação à noite. Imagino a roupa que vou.Bebo água.
Lavo a louça de ontem. Ponho a roupa de ginástica.
Dançinha ao som de Madonna no computador.
Como uma sopa e um pedaço de queijo. Escovo os dentes.
Atendo o telefone. Gato.
Dentista. Um boca anestesiada e dois dentes mais bonitos.
Carro, rumo ao Ceret. Mensagem pra ele. Ando em ritmo acelerado.
Cheiro de mato. Chuva começa. Não corro, aproveito.
Casa. Banho. Coloco a cortina de volta. Sem cair.
Tento comer mais uvas. Mordo a boca que está anestesiada. Xingo.
Olho pra TV. Não ligo. Pego o livro. Abro na página e leio.
Penso em como serão as aulas que começam na segunda. Desencano.
Tiro o peixe do freezer. Xixi.
Escrevo um textinho pro Chá. Básico, não dá pra exigir. Tô de férias.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

I wanna be Free-La.

Não tenho pós graduação, não fiz bacharelado e nem licenciatura. Faço 24 anos no fim do mês. Me formei como tecnóloga há dois anos atrás, ou três. Acho que são três. Isso mesmo, aquela faculdade de dois anos. Era pra ser quatro mas na metade do curso enjoei e pude me formar como tecnóloga no fim dos dois últimos anos.
24 anos.
Já.
(Quanto número logo no começo do texto).
E quando eu tinha quinze, achava que com vinte eu já estaria casada ou não, mas pelo menos teria uma casa própria. Já deu pra perceber que esse é um daqueles textos tepeêmicos e de desabafo...Mentira, não é tepeêmico, mas é de desabafo.
Não sou super bem sucedida não, na verdade minha conta quase sempre está no negativo e eu não consigo juntar nada porque eu to sempre pagando a fatura do cartão de crédito. E eu não sei usar o cartão de crédito, eu o abomino, mas ele corre atrás de mim como uma criança corre atrás dum gato para puxar-lhe o rabo e rir. Uma criança má. E é isso que o cartão de crédito é para mim: uma criança má.
E eu, uma mãe que sabe que ele é perverso mas ainda assim não sabe lhe dizer não.
Eu não tenho casa própria e nem meu diploma ainda fui buscar na faculdade, só estou com o certificado, quer dizer, acho que estou. Guardei com uns documentos. Sou meio largada para um monte de coisas.
Trabalho com edição de vídeo, se alguém precisar de uns freelas, fala comigo, eu trabalho com o Avid Liquid 7, e minhas edições modéstia a parte, são foda. Então me ajude a juntar uma grana pra minha casa própria e me peçam milhões de vídeos. Faço vídeos para festa infantil, casamento, TCC, homenagens para namorados, bobagens, qualquer merda, mas me peçam vídeos.
Bom, não vim aqui pra ficar me promovendo, embora eu tenha acabado de fazer isso. Resolvi escrever pra desabafar. Mas to vendo que esse texto tá virando um tremendo marketing pessoal. Aliás, um marketing pessoal bem negativo porque até agora não citei uma qualidade minha. Mas conforme eu disse, quando comecei a escrever, a intenção era mesmo falar um pouco de mim...mas freelas estão inclusos nisso, fazer o que.

Eu não sou registrada e nunca saí do país, deixei de ir pra Europa porque achei que o avião seria um tédio e porque eu preferi ficar em casa sozinha, e por causa do meu namorado. Sim, eu fiquei por causa dele também e não me envergonho de dizer isso. Na verdade pau no cú da Europa, eu to é doida pra conhecer os Lençóis Maranhenses, e mesmo que ninguém me ajude pedindo freelas, sei que ainda assim vai dar pra eu ir pra lá ainda esse ano com o homem que eu amo. E mais uma vez o cartão de crédito vai me ajudar / afogar / foder/ divertir, mas desta vez vai valer a pena.
Olha na verdade eu realmente acho que a Eurupa deve ser linda, mas sei lá, não é meu sonho de consumo, saca? Meu sonho de consumo é um golden retriever. Se alguém me disser: 15 dias na Europa com tudo pago ou um golden retriever? Pensa rápido!
Um golden retriever! Óbvio.
Nada como um ser provido de focinho e quatro patas para dar mais sentido à vida.

Eu me distraio com cachorros pelas ruas, esqueço do caminho que eu tô fazendo só para acariciar o focinho.
Eu ainda não tenho carta, mas acreditem, não deu pra pagar antes, e só vou começar minhas aulas práticas no fim do mês porque eu ganhei a matrícula no ano passado. Sim, demorei 1 ano para concretizar isso.
Passei na teórica do Detran na metade de 2008 mas a preguiça e o trabalho me impediram de fazer as aulas práticas antes.
Eu definitivamente sou preguiçosa, mas como boa DDA sou muito bem acordada e disposta para o que me interessa e na hora que me interessa. (Talvez eu diga isso porque eu não tenho uma mãe internada na UTI e doze filhos pra criar).
Não gozo fazendo minhas obrigações e nem tenho orgasmos em ter oportunidades que o mundo todo gostaria de ter. Na verdade eu queria muitas coisas mas nunca segui caminho nenhum. Fiquei empolgada com vários e não decidi por nenhum.

Eu tinha vontade de uma coisa, ia lá, dava meu sangue, conseguia e depois perdia a graça.
Eu não duvido da minha capacidade de conseguir o que eu quero, eu consegui tudo o que eu queria. Eu quis ser atriz, fui. Quis ser redatora, fui. Quis cantar numa banda, fui. Quis tosar cachorros, fui. Quis entrar na FAAP, entrei. Quis entrar em Teatro na Anhembi, entrei. Quis desistir de teatro, desisti. Quis prestar publicidade, passei. Quis estudar no Wolf Maya, estudei. Quis entar numa agencia de modelos para fazer comerciais, passei na entrevista mas depois desisti de novo porque no mesmo dia descobri que não queria isso.
Enrolei, enrolei, tanto fiz, tanto fiz e não fiz bosta nenhuma. Sempre tinha alguma coisa, eu sempre desanimava. Só ano passado eu quis ser atriz, quis prestar FUVEST pra pedagogia depois desisti na mesma semana e quis prestar Letras. Me inscrevi no cursinho, mas depois de 1 mês cancelei a matrícula porque na verdade não era isso ainda que eu tava buscando entre outras coisas, além do que jamais daria tempo de eu voltar pra casa, e eu não ia aguentar a pauleira de ter que trabalhar no dia seguinte. Foi-se o tempo em que eu estudava à noite e acordava às 6 da manhã para ser esmagada no metrô e chegar toda amassada no trabalho. São Paulo, sentido Barra Funda, 6:30 da manhão, metrô Brás. Se você acha que o inferno é vermelho e tem fogo e capetinhas, você ainda não pegou o metrô nesse horário no sentido Barra Funda em São Paulo. Quando você fizer isso, passará a crer que o inferno deve até ser um lugar legal para passar os finais de semana, relaxar, apreciar a vista.

Até hoje eu não sei direito o sentido disso aqui e às vezes eu queria mesmo ser como essas pessoas super independentes que dirigem e guardam uma grana para seus futuros, e são reconhecidas na empresa, e falam com seus chefes e são olhadas com seriedade.
Às vezes eu até queria, algumas vezes eu realmente não queria, mas não ia dar certo, não sou eu. Eu ia gaguejar ou ia xingar no primeiro esporro, eu ia esquecer as coisas, eu sempre esqueço as coisas, tropeço em coisas, bagunço tudo. E eu fazendo tarefas simples ajo como um hipopótamo com parkinson. Não dá certo.

Talvez eu tenha me acomodado, talvez eu chegue aos 90 anos e não tenha saído dessa, talvez eu nem tenha uma perspectiva, porque eu sempre estou lotada de perspectivas que não me levam a lugar algum.

Isso é uma bosta. E eu sei que tenho talento pra uma porrada de coisas, mas eu nunca sei por onde começar.
Nem pra fazer meu portfólio eu tenho saco. Separei uns DVD's com uma penca de edições pra criar um site pra mim mas já faz mais de uma semana que eu nem fui atrás pra registrar nada. Meu irmão já disse que me faz o site e eu sempre esqueço, fico escrevendo bobagens, lixando as unhas ou entrando na merda do meu orkut que não serve pra nada, mas que eu sempre entro.

Me sinto como uma bolha vagando no Universo. Eu não to fazendo nada pra essa merda toda melhorar, eu tento não piorar as coisas mas também não melhoro nada. Eu curto viver e acho lindo o mundo todo mesmo sabendo que o mundo todo tá se fudendo na merda. Eu escrevo algumas poesias legais e sinceramente, acho que isso é a única coisa útil que eu faço. Aliás, nem útil é porque quase ninguém lê. E quase ninguém lê porque eu quase não divulgo. E eu quase não divulgo porque sou ciumenta e não registrei nos direitos autorais.

A única coisa que terminei na vida foi um curso de telemarketing, um livro que escrevi quando tinha 15 anos (já comecei vários nunca terminei, ÓBVIO), meu superior de tecnóloga em Gestão de Comunicação Empresarial e...o ensino médio.

Aí fico pensando aqui no motivo de eu existir. Aí eu faço essa relação minha e de pessoas que dirigem e tem suas vidas fantásticas e aí eu penso que elas também estão existindo que nem eu, mas apenas com um pouco mais de "sorte" por terem se decidido e se dado tão bem na vida.

Mas todo mundo aqui tá existindo.
Mas poxa, como eu queria existir com mais dinheiro. Como eu queria existir com o meu registro na carteira...ê buceta. Como eu queria ser decidida.

Queria existir com uma tatuagem enorme nas costas, queria existir mais gordinha, queria existir sem meu dente estar torto, queria existir com o cabelo azul mas eu jamais poderia trabalhar de cabelo azul.

E eu que dizia que adorava ser eu, parece que tô me contradizendo.

A questão é que eu adoro ser eu, mas eu queria ser eu mas com tudo isso aí, saca?
Tava bom, meu registro, minha grana guardada, a entrada na casa. Tava ótimo. tava ótimo se eu tivesse controle de algumas coisas, tava ótimo se eu confiasse mais em mim. E confiar é diferente de acreditar. Eu queria ter acerteza de que se eu vou escolher uma coisa, é essa coisa que eu vou fazer. Mas eu mudo de opinião porque às vezes tenho mania de liberdade e se eu não tenho mais certeza de alguma coisa, isso me sufoca e eu odeio ter que continuar fazendo.

Eu sou só uma menina bagunçada, bagunceira. Às vezes pode parecer que sou cruel com alguns comentários que faço, mas é porque acho graça de tudo, principalmente das pessoas, de mim. Mas no fundo meu coração é mais derretido do que sonho de valsa dentro da bolsa num dia de calor. Morro de peso na consciência por tudo e por mais difícil que seja de acreditar, eu sempre tento ver o lado bom das pessoas porque acho injusto não tentar ver, embora é claro, não pareça em muito do escrevo. Mas não sou mentirosa. Principalmente comigo. Não escondo nada de mim, e isso custa caro, mas não custa meu caráter e nem minha ilusão, o que já está ótimo. Acho que todo mundo merece uma chance, embora existam pessoas que já tiveram suas chances e disperdiçaram.

Tenho gastrite. Tenho uma coelha peluda que rosna. Uma mãe com quem vivo brigando mas que decidiu não brigar comigo este ano. Até agora está dando certo, esses dias a gente até conseguiu ficar mais de três horas juntas e nem sequer gritamos uma com a outra. Progresso! Algumas pessoas já me disseram para eu não ligar para essas brigas, mas eu ligo, eu sempre ligo. Eu não suporto brigas com a minha mãe. Eu queria na verdade é que ela fosse a mulher com quem mais eu me desse bem.

Tenho um irmão superdotado (sem piadas) que aprendeu a ler com 3 anos de idade e sozinho. Ele tem síndrome de asperger. Não me perguntem, tô com preguiça de responder, joguem no google.

Ele teve câncer com 16 anos e talvez esse seja um dos motivos que me fazem odiar o cigarro e ver pessoas foderem com suas vidas sendo que tantas outras lutam por ela.

Odeio que pichem, que sujem as ruas, que maltratem animais, mas ainda assim eu como carne, com um terrível peso na consciência. Não tenho força de vontade para parar de comê-las, bois são uma graça mas ninguém mandou serem tão bons.

Não falei aqui do meu pai. Meu pai é foda, mas já briguei muito com ele também. Minha mãe é linda, tem rosto de boneca, e minha vó Lola é meu anjo da guarda e me ensina muito sobre a vida só dela respirar e elogiar uma planta.

Meu namorado me tirou tudo de triste que existia em mim, e ele tem um cheiro que é uma delícia. E tem um bigode que eu adoro, e cabelos compridos que eu adoro prender e pentear.

A mãe de uma "amiga" este ano me disse que eu sou destrambelhada absolutamente do nada e que ela não gostaria de ser minha mãe. Eu tive vontade de estourar a cara dela porque ela não me conhece de verdade e eu não sou destrambelhada eu sou só um pouco indecisa, mas aguento trancos muito melhor do que muita gente. Destrambelhada é ela que um dia quase arrancou tiras de carne das costas da filha numa briga. Destrambelhada é ela que é policial. Quer destrambelho maior nos dias de hoje? Desculpa, sei que nem todo mundo é igual, mas destrambelhada é VOCÊ sua inchada!

(Só pra desabafar um pouco.)

Sei lá, parte de mim isso isso aí...tô em busca de algo ou de nada, eu não sei.
A única coisa que sei é que...

Preciso de freelas.

Preciso de freelas pra juntar uma grana para casar e ter bebês.

E eu prometo não desistir de nenhum vídeo que me passarem, eu preciso dessa grana, cacete. Eu tô até conseguindo me desafogar sabe, fiquei até orgulhosa porque não tenho mais gastado que nem antes. Mas quero freelas.

Bom, é isso. Tô com dor no pescoço, to escrevendo deitada e tô sebosa, vou tomar um banho porque tá tarde.

Boa noite.

Ou boa tarde. Ou se lá.

Ou foda-se.

Perdão, não se foda não, vai que você precise de um editor freela um dia, não é, leitorzinho fofinho, bonitinho?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Censura

A menina estava lá, dentro do restaurante tailandês chique do hotel, pulando e rodando, de braços abertos e olhando pro teto. Ela era criança e ninguém estava dando a mínima, com exceção de mim e da minha inveja adulta, claro. Era permitido a ela se mostrar feliz daquela maneira, porque ela estava com a mãe, com o que pareceu ser uma amiga da mãe e com seu irmãozinho, prestes a comemorar uma noite mágica de Ano Novo ao redor da piscina de 2 km de comprimento, iluminada e enfeitada, com música e diversão, junto daquelas pessoas que faziam fila para ir ao bar pegar uma bebida randomicamente. A mim, só fora permitido dar esses pulos num imenso jardim onde poucas pessoas me olhavam, perto da praia, bem descontraidamente, ao chegar nesse lugar mágico.

E eu só a observava. Dois dias depois, mal sabia que eu teria que me conter dentro de um surto que seria completamente justificado, se tivesse acontecido: um senhor mexicano, com o nariz sangrando, decidiu, no meio de uma multidão em um local turístico, não utilizar um lenço de papel. Ele jogou três pingos de sangue no MEU braço. Não me perguntem o motivo. Não pude fazer o que eu queria, que era dar um soco na cara dele gritando coisas que ele merecia ouvir, depois chamar a polícia e logo depois ir me lavar. Tive que me contentar em ficar dez minutos procurando um banheiro pra me lavar, enquanto ele se perdia na multidão. E logo depois não poder chorar de medo de pegar qualquer doença - medo esse injustificado porque meu braço estava intacto, me disseram as amigas profissionais de saúde - porque eu já disse, era injustificado. Aquele homem tosco quis me mostrar que não existe perfeição nem dentro da perfeição. E a vida continuou.

Aqui atrás do computador, onde eu passo 90% do tempo da minha vida, longe de São Paulo e da civilização, eliminaram completamente qualquer contato via internet com o mundo pessoal das pessoas (sim). Eles tratam a regra pela exceção: ao invés de punir quem passa o dia inteiro em sites e não trabalha, eles punem a grande maioria que só quer trocar três emails por dia com quem quer que seja que não pertence a esse mundo. Censura, mesmo que justificada por um contratinho onde se lê: política de uso da internet.

E eu fiquei pensando em todas as situações onde a gente se barra, se impede. De reagir, de ousar, de ser diferente. Isso tudo é uma ilusão e a gente está completamente adaptado a ela, com as nossas pseudo regras de comportamento e de convivência social. Não estou falando de leis, de organização pública, estou falando do que silenciosamente criamos pra nossas vidas. Vocês me diriam que o caos se instalaria, sem essas regrinhas. Eu responderia que a gente já vive num caos, físico e emocional, privado e público. Alguém discorda?

sábado, 3 de janeiro de 2009

A Menina e o Leão

Era uma vez uma garotinha que andava pelo deserto regando flores.
Sim, mesmo sendo deserto, era um deserto que tinha flores.
Encontrou algumas flores que tinham espinhos, e que a machucavam, mas ela parecia não se importar.
De fato, não se importava, achava aquilo até normal. Estava acostumada. Queria mesmo era regar as flores e replantá-las em vasinhos para enfeitar sua vida. Certa vez viu que um dos cortes feito pelos espinhos de uma flor, começou a inflamar demais a sua mão. Sangrou, fez ferida, ela chorou, mas ainda assim não conseguiu se desvencilhar da flor, por gostar dela demais. Deixou-a lá, e quanto mais sangrava, mais ela tocava na flor, pois pensava não ser culpa dela, afinal, ela havia nascido com aqueles espinhos.

Até que um dia percebeu que aquela flor era viva, e a havia machucado propositalmente, como quem dissesse: "eu não quero enfeitar a sua vida, me deixa em paz, eu não quero enfeitar nada, eu não quero que você cuide de mim. Quero secar e morrer sozinha." Foi quando suas pétalas começaram a cair e a linda flor foi se transformando numa navalha feia e enferrujada. Era apenas um disfarce para que pudesse machucar a garotinha.
Quando ela percebeu, ficou tão triste, mas tão triste, que jurou nunca mais cuidar de flor alguma e nunca mais visitar algum jardim. Saberia muito bem viver sem passear por lugares floridos. Não precisava de flores para saber que a vida é bonita.

Depois daquilo, ainda assim encontrou algumas no caminho, querendo ser cuidadas por ela, mas ela já não se importava e de certa forma estava feliz por ver que seus cortes já não doíam mais. Por mais que gostasse de algumas flores, não se importava em não tê-las por perto, além do que, nenhuma delas era especial o suficiente para que ela a incluísse em sua vida. O tempo foi passando e ela estava feliz, e decidida a nunca mais se dedicar à flor alguma. Foi quando um dia tropeçou em algo no meio do deserto. Algo grande e macio. Agachou, examinou e percebeu que era uma flor diferente. Era uma flor macia! E quando viu aquela flor tão diferente, ficou intrigada.Não queria novamente dar sua vida para cuidar de uma nova flor, mas aquela flor a instigava por ser muito diferente das outras.

Examinou bem aquela espécie e passou os dedos por entre as pétalas esquisitas e jamais vistas antes. Foi quando a flor começou a se mexer e virou sua cabeça para cima revelando um olhar sério e um focinho.A menina deu um pulo e morrendo de medo, ficou encarando aquilo que ela não sabia bem o que era.A flor foi acordando sonolenta e se levantando, mostrando ser na verdade um lindo Leão.Não era uma flor, era um pequeno Leãozinho que adormecia com parte do corpo enterrado nas areias do deserto. E as "pétalas macias" eram apenas a sua juba.


A menina não sabia se corria, se chorava ou se continuava ali admirando aquele Leão tão bonito mas ao mesmo tempo tão bravo aparentemente. Foi quando os olhos do Leão a olharam docemente e todo seu semblante sério desapereceu revelando um sorriso doce e um jeito pidão de quem quer colo.
Tomada pela segurança daquele olhar, aproximou-se e acariciou sua juba, outrora confundida com pétalas, e o Leão derreteu-se tal qual um gatinho que ansiava por um carinho que jamais imaginou ter. A partir daquele dia, a menina e o Leão nunca mais se separaram. Ela cuidava do Leão como quem cuida do que há de mais precioso na vida, e ele a protegia e amava como quem sabe e conhece o amor de verdade.Com suas lambidas, o Leão foi cicatrizando as feridas da garota e em poucos dias sua pele estava tão lisinha que parecia que jamais alguma rosa a havia machucado.

Engraçado como algumas coisas acontecem na vida e como elas nos aparecem de forma inusitada.
Nessa história a garota aprendeu uma lição muito valiosa, embora tenha lhe custado feridas e arranhões.
Aprendeu que existem muitas flores por aí, de diferentes formas e origens, mas todas são flores. Mas Leão que lhe protege, ama e não fere, só existe um, que por sua sorte foi parar bem no meio de seu caminho, e embora ela o entitule "Leãozinho", sabe que ele de "inho" não tem nada, pois é grande o suficiente para ocupar hoje não só seus caminhos...

Mas toda a sua vida...


Para sempre.

sábado, 27 de dezembro de 2008

2009

De um passo rumo a nós mesmos, de uma esperança que se torna um objetivo, de uma fagulha de qualquer coisa que possa nos ajudar a ter, apesar de qualquer problema, felicidade, é que vem o amor. Que ele seja o caminho por entre todo desespero, toda falta de motivação, toda dor emocional e todo desalento que paira sobre nós. Porque é ele que carrega nossas vidas. E somos nós que dirigimos esse barco, quer a gente assuma ou não.

Para cada intenção, uma realização;
Para cada ódio, uma lição;
Para cada presente, um simbolismo verdadeiro de doação;
Para cada amigo, mais um (mais dois);
Para cada dia, um agradecimento;
Para cada desvio, um novo rumo;
Para cada sofrimento, amparo;
Para todos vocês, saúde.

E a vontade de sair do mesmo lugar, mesmo que seja só um pouco e mesmo que pareça tão impossível.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Por que às vezes sonhos não tem o mínimo sentido?

Foi um sonho atípico. Se bem que todos os meus sonhos são atípicos, distorcidos e tão coloridos quanto as mãos de uma criança comendo Vigorzinho.


Eu estava no prédio onde trabalho, e creio eu que pelo fato de estar assistindo Homem Aranha 3 há dois dias atrás, sonhei com um guindaste no alto do prédio destruindo tudo. O guindaste estava descontrolado e todas as pessoas do prédio estavam correndo desesperadamente em busca de uma saída, inclusive eu, que gritava dramaticamente "socorro".


O prédio estava sendo destruído pelo guindastre descontrolado, e o barulho era tanto, a bagunça era tanta, o pó era tanto. Passados alguns segundos, tudo ficou em silêncio, e o noticiário informava que o guindaste gigante havia destruído boa parte da população mundial. Saímos todos com medo temendo o que encontrar pela frente, como naquele filme "Ensaio sobre a cegueira" na hora em que os cegos saem do confinamento para o mundo, já destruído.


A visão era semelhante. Pedaços de coisas no chão, casas destruídas, roupas jogadas pelas ruas, cachorros se coçando pelos cantos, e todas as pessoas, todas, rodavam e olhavam para o céu perguntando "Quem sou eu?" "Para onde vou?" "De onde vim?" "Quem sou eu?" "Quem sou eu?" Neste momento, todas elas congelaram e parece que comecei a ver tudo de cima, como se uma câmera estivesse dando um Zoom ao contrário. As pessoas foram ficando pequenininhas e aquela cena virou um cartaz, onde de repente apareceu uma frase: "Quem sou eu" - A Nova Novela da Globo!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Keep Away

Simplesmente não tenho mais paciência nem tempo pra meias amizades. Não consigo mais ter colegas. Não perdi a minha educação, nem meu senso de humor, mas acho que ao longo dos anos, desenvolvi meio que um filtro para amizades superficiais.

Sabe, eu falo muito. Falo de mim, do que eu penso, do que eu sinto. Toda hora. Falo sério e as pessoas pensam que estou brincando. Mas adoro, e quando eu digo adoro é igual a “não sei viver sem” ouvir, observar as pessoas, me preocupar com quem eu tenho certa afinidade. E nessas de ouvir e observar, acabo entendendo alguma coisa sobre o que as pessoas têm dentro de si.

Acredito que não é pra qualquer um ser um “futuro amigo de infância” em potencial. Podemos ter comportamentos, gostos, estilos diferentes, mas nunca valores diferentes. Eu não conseguiria ser amiga-irmã de uma pessoa que engana os outros para ganhar dinheiro. Que rotula as pessoas de acordo com critérios errados, superficiais. Que pensa que todos têm inveja dela. Que acredita no jeitinho brasileiro e não no jeitinho certo. Que engana quem ama. Que abusa das suas máscaras. Que não tem histórias engraçadas e arrependimentos, que não é simples de alma e que não sabe rir de si mesmo. Eu não tenho mais tempo a perder com coleguinhas, com pessoas que não pensam em nada mais profundo do que seu próprio umbigo.

Já aprendi a diferenciar quem está ao meu lado por minha causa, daqueles que estão por conveniência: da empresa, da vida, dos amigos. Aprendi que algumas pessoas gostam de contar amigos em números, não em qualidade. Já entendi que a maioria das pessoas se contenta só com um jeitinho doce, não precisa ter nenhum conteúdo real. Já entendi que os iguais se atraem e que para atrair pessoas bacanas, temos que ser bacanas também. Já entendi que são eles que nos seguram, dão apoio, nos tiram da merda, que aproveitam nossas vitórias com a gente. E que preservar isso é uma delícia.

Não fiquei ranzinza, apenas acredito que humor, sarcasmo, bagunça, bom papo, inteligência, podem vir acompanhados de um bom coração. E é nessa galera que eu aposto, é com eles que eu gasto meu tempo, minha vibe, meu dinheiro e todo meu amor.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

There's No Place Like Home

Um resort grotescamente gigante e lindo na costa de uma explêndida praia em Florianópolis.
Escrevo olhando para o mar. Não é sempre que se tem uma dádiva dessas. Um mar verde, maravilhoso, à frente dele uma piscina digna de filme, no meio de uma vegetação extensa.
Um evento. Um evento para jovens empresários, o que não é meu caso. O lugar onde trabalho apenas organizou esse evento e eu vim "obrigatoriamente convidada" pelo meu pai, que achava que "faz muito tempo que você não viaja, já comprei sua passagem."
Sim, de início eu quis quebrar todas as louças de casa e roer toda a mobília, não demonstrei para não magoá-lo, pois sei que ele ficaria feliz com a minha ida. Primeiro porque me cago de medo de avião, e ele sabe, mas achou que era uma boa oportunidade para perder o medo. Seria como "Ah você tem medo de ser atropelada? Deite-se no chão, deixe-me passar em cima de você com este trator! É uma ótima oportunidade para perder o medo!". Segundo porque eu não queria deixar meu namorado, minha coelha e minha cidade poluída que tanto abomino, porém como eu já disse, é minha.
O pior de tudo quando você não quer ir pra algum lugar é quando as pessoas perguntam de hora em hora: "E aí está animada pra ir?". E você de hora em hora tem que forjar um sorriso e uma resposta contrária daquela que você realmente queria dar para que não te encham o saco até que ele exploda e as bolas voem junto à pêlos e sangue.
"Velha!" "Deus dá asas pra que não sabe voar mesmo" "Você é louca de não querer ir" Escutei de tudo para as poucas pessoas com as quais fui sincera. Todos me colocando no último nível de aceitação por não estar com um sorriso dando volta na cara por ter a oportunidade de vir pra cá.
"Talvez eu esteja sendo ingrata" pensei comigo mesma, sentindo uma ponta de peso na consciência. Por que a gente às vezes se culpa de sentimentos que não pode mudar? Eu me sentir culpada não ia fazer com que a santa vontade de estar aqui se despertasse no mais profundo de meu ser.
Cheguei no aeroporto, e uma mistura de cagaço com curiosidade se embolou no meu coração quando vi o tamanho daquele bicho enorme chamado avião.
"Tam tam tam taaaaam" - lembrei do cara do meu trabalho me zoando com essa música ao saber que eu ia viajar de TAM.
Entrei no avião e óbvio que foi inevitável não me lembrar do pessoal que morreu em Congonhas o ano passado. Eles estavam num lugar exatamente como este! Pode ser eu! Caralho. Sim, sou neurótica, depressiva, maluca e medrosa, sei que passa isso na cabeça de quem lê isso.
Para me deixar ainda mais ansiosa, o avião ficou andando uma década a passo de tartaruga antes de decolar. Do nada o bicho começou a correr e quando me dei conta já estava acima das nuvens.
Não posso mentir dizendo que não gostei. Foi uma delícia. Deu medo, mas foi uma delícia. E só fazia 20 anos que eu não andava de avião, como pude não me lembrar?
Chegando aqui foi impossível não sorrir. O lugar é maravilhoso e uma corrente de alegria começou a correr pelas minhas veias. A varanda do apartamento dá pra ver boa parte do mar, a piscina, é lindo. O evento dura 3 dias. Desde quarta feira estou vivendo à base de jantares esdruxulamente chiques, com 697 tipos de pratos quentes, saladas e doces. Nunca comi tanto doce na minha vida. Vou voltar preta e gorda, ou seja, irreconhecível. E nunca senti tanta saudade de comer vendo TV que nem hoje.
Nos jantares, bandas. Nas mesas, pessoas. Na pista, jovens. O evento como eu disse é para eles, para jovens empresários. Rola palestra, interatividade e etc. Até agora só assisti a uma palestra, que acho que deve ter valido por todas, pois é uma espécia de palestra show. O cara além de palestrante é mágico. Um cara foda. Eu poderia ser ele, mas me lembrei que sou tímida o suficiente para estar num palco sem que seja para atuar. Esquisito, não? Ninguém entende, mas o Zé Wilker disse que é normal numa entrevista na TV. Além do mais, eu não riria para os EUA apenas para me formar em Marketing. Além do mais, eu não pisaria nos EUA por nada nesse mundo.
No jantar de quinta-feira, rolava banda, jovens bebendo e se divertindo, e rolava uma Thaís querendo ir dormir.
"Como você é veeeeelha" dizia o pessoal do meu trabalho! "Fique mais um pouco! Vamos curtir uma banda!"
Aí fiquei. Fiquei 10 minutos a mais. Fiquei lá "curtindo a banda" que implica ficar sentada olhando caras tocarem músicas que posso baixar na internet. À minha frente, pessoas se sacundindo ao som destas mesmas músicas. Definitivamente? Boa noite! Sou uma idosa mesmo, sou bicho do mato.
Ontem a mesma coisa, mas com um grande diferencial: passinhos!
O pessoal estava inventando...passinhos! Passinhos! Por Deus! Passinhos, passinhos são o cúmulo da...do...bom, são passinhos, acho que a palavra já se auto descreve.
Nas três vezes que me decidi ir embora, me convenceram a ficar para "curtir a banda" novamente. Eu não deveria, mas fiquei. Sentada, de touca, na mesa, bebendo uma cerveja, com alto teor de sarcasmo no rosto, observando os jovens empresários e os jovens do meu trabalho...fazendo amizades e...passinhos. Olha, nada contra todo mundo que faz passinho, é rico e gosta de fazer novas amizades, eu só não me sinto parte disso, entendeu? Não faz parte do que eu quero, do que eu gosto e do que eu faço.
Dezenas de garotas novas e ricas com sandália rasteira, vestidos de pano e cara de "vamos curtir a vida adoidado, pessoal!" deslizando em passinhos na frente de uma banda que era até legal, mas não o suficiente para me prender lá pela madrugada toda. E nem eram 11 da noite ainda.
Cansada de ver os passinhos esdrúxulos, me despedi rapidamente e sumi. Vim para meu apartamento e dormi até hoje (sábado) às 11 horas.
Fui almoçar. Encontrei algumas pessoas.
"Posso saber onde é seu esconderijo"? "Por que você foi embora ontem à noite? " Ah pelo amor de Deus se eu ficar que nem ela nessa viagem prefiro me matar! Que velha que você é!"
Sinceramente, eu gostei de vir! Mas será que ninguém entende que gosto de me divertir ao meu modo? Tipo, pensando? Eu me divirto pensando!
Eu gosto disso. Tem mais sentido do que beber e fazer passinhos na noite. Será que ninguém entende?
O conceito de diversão hoje em dia é tão ridículo. Ao meu ver! Eu definitivamente sou uma velha mesmo. Me tornei uma pessoa que não gosta de bagunça. Fazer o que? E incrivelmente sou feliz assim, me divirto assim, do meu jeito.
Minha mãe hoje tentou me acordar umas 219 vezes. "Tanta coisa pra fazer e você aí dormindo".
"Tanta coisa pra fazer". Reformulemos. Tipo o que? Andar na praia de novo? Passear em volta do hotel de novo? Ir pra academia? Ir pra piscina? Fazer aula de dança de salão?
Cansei de ficar andando na praia.
Cansei de passear em volta do hotel, já decorei todos os seus tijolos dele.
Todos sabem que detesto academia
Piscina eu cheguei a uma conclusão que é uma das coisas mais engraçadas do mundo. As pessoas entram lá e ficam boiando e mergulhando. Estes dias quando entrei na piscina pensei: Pronto. Já estou aqui. E agora, o que é pra fazer?
Tipo, não tem sentido, saca? É gostoso, mas não tem sentido! Não tem o que fazer lá!
Aula de dança de salão, com o humor que eu tô e com o bicho do mato que me tornei, inviável. Ainda se meu namorado estivesse aqui eu poderia pensar, mas estou com meus pais e com pessoas do trabalho que fazem passinhos, ou seja, impossível.
Sou muito mais ficar vendo televisão ouvindo o barulho do mar ou ficar aqui na inernet fuçando do que fazer qualquer outra dessas coisas.
Estou com saudade da minha poluição, da minha coelha, do meu quarto, do meu namorado, de ficar no nosso cantinho do metrô, de pegar o trem pra ir pra casa dele. Tô com saudade da cidade insuportável que já estava me dando nos nervos, mas que não consigo ficar três dias longe.
O cara que trabalha comigo disse que eu deveria fazer amizades.
"Por que?" - perguntei.
"Pras pessoas te conhecerem" -
"Pra que?" - perguntei.
"Pras pessoas verem você"
"Pra que"? - perguntei.
"Para você conhecê-las também"
"Pra que?" - perguntei
"Você diz isso como se as pessoas não fossem gostar de ver você" - disse a moça que trabalha comigo.
"Eu não quero que elas me vejam"
"Você é bonita! Como não gosta que as pessoas te vejam?"
"Essa opinião não é unânime. E eu realmente não quero que elas me vejam."
"Você tem que parar de ser ridícula e viver num casulo. Pra você conhecer o outro lado".
E eu já não conheci o outro lado? Não vi nada de interessante. Sinceramente? É até engraçado, mas me cansa. E eu sou insuportável nesse aspecto, e pessoas não deixam de me adorar por isso. E eu posso assumir sim, que sou insuportavelmente interessante, seja no bom ou no mal sentido. Pessoas adoram me analisar como um verme e se assustar comigo, algumas delas até me admiram, outras acham que eu sou esquisita, como minha mãe, que já me disse isso em alto e bom tom: "Você é esquisitaaaaa", só porque eu estava num laboratório (tinha acabado de fazer exame de sangue e fui pegar um café antes de ir embora) e eu queria ir embora com o copinho de café na mão!. "Quem toma café na ruaaaaa? Esquisitaaaa". Sempre fui chamada de esquisita, estranha, por fazer coisas que ninguém fazia ou por questionar coisas que ninguém questionava porque já sabiam que iam ouvir um "porque sim" ou "porque não. Já me adaptei e isso hoje me soa como elogio.
A questão é, pessoas me acham tão interessantes quanto um E.T cretino ou tão interessante quanto a Virgem Maria ainda que de virgem eu não tenha nem o buraco do ouvido (mentira, este eu preservo...e outros buracos também preservo).
Posso soar um pouco arrogante nesse aspecto, não me importo, eu não preciso me divertir de forma comum, cheia de pessoas comuns. Tolero muita coisa, brinco com muita gente, mas sorrio amarelo para pessoas comuns, e ainda assim não deixo de gostar delas, contanto que seja de longe.
A velha até curtiu ter viajado, curtiu a solidão de ver a praia do alto das rochas, curtiu a beleza toda desse paraíso. Mas não adianta, por melhor que seja o lugar, como diz o ditado: "There's no place like home."

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Novidades.

Tô ouvindo o meu coração, e ele diz que chegou a hora. Hoje, consigo me imaginar com 70 anos e pensando:

Me fodi um pouco, mas tive coragem.
Segui meus instintos. Fiz algo por mim mesma, só por mim, pra variar.
Dei um significado pra isso tudo.
Tive medo de falhar, de deixar em segundo plano quem me ama.
Mas eles todos me apoiaram. Me deram mais força moral. E eu segui.
Aprendi, entendi, achei o caminho. E se não fosse assim, como seria?

E 2009 foi um ano tão marcante. O ano em que eu entendi que de nada adianta ter dinheiro sem paixão. Ter emprego sem ter paixão. Ter planos sem ter paixão. Ter garantia e segurança, sem ter paixão. Diariamente. Nem que seja só um pouquinho.

E dar um rumo pra sí mesmo é mais do que saber viver, é saber morrer. Com muita, muita paixão.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Meu

Não há passo que eu dê onde milhões de palavras me acendem na cabeça como luminosos de bingo.
Milhões de palavras narrando tudo ou rimando tudo, coisas às vezes das quais nem sei, nem suspeito.
Falam-me de coisas repugnantes ou tão doces como as mãos de uma criança estrelaçando seus pequenos dedinhos nos dedos adultos da mãe.
Às vezes parece loucura viver a vida em seus mínimos detalhes. E viver é leve, mas os detalhes por vezes pesam, cansam, e a gente os carrega nas costas não como uma cruz, mas como asas de metal, que servem pra voar mas pesam até marcar as costas.
Algumas pessoas deixam os detalhes extravasarem por seus olhos e choram, outras são traduzidas através de notas musicais. Existem milhões de exemplos, e eu por minha vez, escrevo.
Tenho nas escritas o peso da minha existência e a leveza da tênue linha que tece o meio termo entre a morte e a vida.
Meu ar às vezes cai como pétalas pelos pulmões, e em outras vezes parece que respiro pedacinhos de chumbo que se acumulam numa porrada doentia no estômago.
Ainda assim
Ainda assim por um único motivo o mundo escuro tem um véu de luz.
Porque trouxeram-me borboletas no estômago, quando a única coisa que haviam eram tripas e uma palavra ou outra.
Trouxeram-me flores ao coração quando as únicas coisas que haviam eram sangue, artérias e alguns poemas que eu sentia com o cérebro.
Ensinaram-me que amor vem do peito e não da cabeça.
Ensinaram-me a rimar por amor e não por passatempo.
Ensinaram-me a cantar as palavras e não apenas a jogar com elas.
Ensinaram-me que diferente pode ser diferente mesmo sendo a palavra escrita da mesma forma durante anos.
"Quando você aprender que a única pessoa cuja ausência é fatal, é você, aí sim lhe darei uma companhia eterna que te ame verdadeiramente como jamais o seu coração pôde sentir e sua mente pôde entender."
Vãs palavras me acertam os ouvidos
Me contam histórias, mentiras, grunidos
Pedaços de uma escrita já feita, hoje refeita
Dorme um mundo inteiro lá fora, e eu acordada, eu sempre acordada.
Nem sei bem do que falo, mas sinto tudo o que deixo de saber. Sinto o que está nas entrelinhas. Sinto certezas como sinto tristezas, e alegrias.
Por que não pintar as flores de bege e fazer o Sol boiar na piscina?
Algumas frases são lindas mesmo sem significado algum.
Alguns escritores já escreveram coisas que nunca entendi mas que me fizeram sentir uma compreensão enorme alheia ao meu raciocínio lógico. E tudo fica lindo quando é bem colocado, por mais que não existam palavras adequadas.
Menino!
Ah, menino, ensinou-me muito sobre amor quando o amor me era engraçado.
Ensinou-me a sorrir e não era por graça.
Ensinou-me muito sobre ternura quando me haviam facas nas mãos.
De minhas pedras fez pétalas de rosas
Do meu dicionário fez fugir palavras.
E você perto de mim é menino
E ao seu lado sinto-me como bolinha de sabão nas mãos de uma criança que toma todo o cuidado do mundo para que não estoure.
Sonho acordada.
Sorrio e nem sei.
Meu coração acelera
Tropeço em centavos
Acordo em calendários
Um lugar imaginário.
Meu texto sem sentido
Meu coração embolado.
Palavras
Palavras
Palavras
Quem precisa entendê-las
A não ser eu?
Minhas palavras
Minha vida
Minhas fotos
Meu menino.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Meu paraíso

Temporada de claridade aqui dentro. O sol lá fora anima a ponto de eu brilhar mais que ele. Eu saio cantando, nem que for pra enfrentar mil monstros. Posso imaginar os coqueiros balançando, a água do coco pedindo pra ser sugada e um mar azul límpido varrendo meu chão. Tudo azul, tudo branquinho, tudo amarelo ouro. Todo mundo bronzeado. Nem reparo no cheiro de suor. O cheiro de vida se sobrepõe. E lá vou eu sonhar acordada de novo.

Uma brisa, um dia lindo, todos rindo de prazer. Desolação não vai chegar perto. Uma música tocando alguns versos lindos com alguma batida que te leva. Uma bebida leve. Água, muita água, sem medo que ela acabe. Vivendo o hoje, respeitando o outro, quebrando as regras que podem ser quebradas, sendo nós mesmos e adorando.

Vamos entrar no ritmo. Libera suas tristezas, vem comigo, vamos pular em cima da cama fingindo que são as ondas. Vamos pular as ondas fingindo que nada pode ser melhor que isso. Vamos correr de mãos dadas como se o sol não queimasse e como se ninguém fosse reparar. Vamos brincar de não ter peso, não ter cicatrizes, não ter medo. Vamos em frente.