quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Esqueminhas que na prática eu não entendo

Amar com desapego, como já ensinavam os budistas

Não namorar? não casar? transar aleatoriamente? ser feliz com múltiplos parceiros? desistir da monogamia pra sempre? largar mão de se preocupar com quem se gosta? Alguém me diz como DIABOS se ama com desapego, na prática?

Dinheiro não traz felicidade ou Só dinheiro traz felicidade

Ou nego apela pra religião pra justificar suas mazelas materiais ou se joga em qualquer merda que possa fazê-lo ficar famoso e rico, bem como venda de integridade no atacado. O meio-termo anda perdido por aí em algum lugar, onde?

Comercial de margarina e de Iogurte que faz cagar

Será que realmente existem mulheres que acreditam que sua barriga grande e que seu mal humor são causados somente por cocô estocado? Será também que existem famílias inteiras que tomam café da manhã juntas e sorriem, se amando saudavelmente com ômega três às seis da manhã?

Filmes pornôs

As mulheres não gozam, nessa vida real imaginária? E, quando se supõe que gozam, é dando um sorrisinho com o canto da boca e fazendo olhar de tigresa pra câmera?

Bonito por dentro, vulgo Não se julga um livro pela capa

Esquece então de usar aquela calça jeans que realça sua bunda e para de tirar as sombrancelhas. O mundo é cruel, eu estava lendo esses dias que a gente esteticamente é regido pela opinião primária, que consiste mais ou menos no seguinte: se eu ficar recendo informações do mundo ou da mídia só de gente bonita, magra e lisa, logo depois eu tendo a repelir tudo que seja diferente disso, os padrões viram aqueles lá. Ou seja, o troço só tende a piorar pro lado das pessoas que não tem uma capa lá muito bem diagramada. Alguém consegue REALMENTE não julgar pelo menos um pouquinho pela capa nos dias de hoje? Seria a definição disso namorar com o Xico Sá?


Produtos alimentícios e de higiene e beleza em geral

Como eu acredito que tudo que eu compro faz bem pra minha saúde, mesmo quando só tem nome de tabela periódica nos ingredientes? Quer dizer, sempre. Parabéns pra quem me fez acreditar que só cigarro dá câncer.


Willian Bonner e Fátima Bernardes

Pais de trigêmeos, trabalham juntos e devem ficar juntos mais de 90% do seu tempo. Casal-modelo em qualquer pesquisa que se faça. Tenho certeza que na vida real ele é crossdresser e ela é viciada em Benflogin.


Cursos Universitários em dois anos, ou Faculdade junto com Pós

A Pós então devia se chamar Durante. Nada contra faculdades baratas, tudo contra estudar só pra entrar numa empresa e sonhar com o dia em que vai parar de ganhar mil reais pra ganhar dois. Este tópico foi patrocinado pela campanha "estude o que você considera hoje seu hobbie, depois seja autônomo e mais feliz".

E por hoje é só, pessoal. Que infortúnio.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Pluma de Chumbo.

"Olhou pelo vidro do ônibus e viu um homem mal cuidado, feio, pobre, triste.
Com pena, ofereceu-lhe um sorriso.
E qual não foi sua surpresa ao perceber que o homem que via era na verdade o seu próprio reflexo no vidro."

"Somos só nós. Só nós e o Universo."

Pessoas não estão prontas para aguentar meu peso.
É lindo o peso do meu amor
Mas o peso da tristeza minha é esmagador.

Meu amor tem lindas cores e tons
Mas meu tom é triste e grudento, pegajoso e nojento.
Porque eu tenho dentro de mim todo o lixo do mundo
E ao mesmo tempo toda a tranquilidade dos golfinhos no mar.
Porque eu conheço o cheiro do inferno e do céu
Eu sei me afogar mas também sei nadar.
Eu não sou delicada
Falo palavrões
Falo e faço coisas nojentas
Mas sou a menina mais doce do Universo ao observar um esquilo a beber água
E ao sentir a brisa da tarde soprar no rosto.
Ao dar de beber a um hamster na palma de minha mão porque já não consegue matar sua sede pro si próprio.
Diante da inocência do mundo sou a delicadeza que ninguém vê
A tranquilidade que ninguém conhece
A suavidade que ninguém sente.
Apenas porque o conceito sublime do mundo está no que se é mostrado (e não percebido).
Eu tenho coisas terríveis dentro de mim
Mas que transformo em poesias bonitas.
Sei fazer obra de arte com o lixo e por isso me admiro.

Tenho pena de mim e às vezes gosto de imaginar um anjo mexendo em meus cabelos quando sento no chão do quarto e deito minha cabeça na cama.
Uma vez ele me disse que tudo daria certo, como uma mãe a um filho que caiu da bicileta ao aprender.
Mas eu, tenho já uma certa idade em que fica feio chorar pela vida.
O certo seria ir atrás, conforme os outros te dizem. O certo seria sequer pensar num anjo que acaricia uma menina triste e sim nos "relatórios de amanhã".

E aí a empresa me pergunta o que eu posso oferecer a ela e as únicas coisas que me passam na cabeça são quadros bonitos à venda numa praça do interior, e criancinhas jogando milho às pombas. E a cadeira onde sento me dá uma vontade doida de rodar nela.

Às vezes tenho um pouco de raiva de estar aqui, mas ao mesmo tempo, morrer é meu maior pavor.
Não me enquadro em absolutamente nada.
Não sou parte de absolutamente nada e discordo de tudo o que os outros concordam.

As pessoas tocam suas vidas, as vidas tocam suas pessoas.
Elas choram, sorriem e eu reparo na humanidade e escrevo.
Escrevo.
Escrevo
E escrevo.

O mundo é a minha televisão e o sofá é meu purgatório e minha dádiva.
Eu vejo coisas que ninguém vê e deixo de prestar atenção no que todo mundo presta.
Pergunto coisas absurdas pra algumas pessoas pra ver se também são tão malucas quanto eu.
Algumas delas chegam perto, mas nas principais questões elas me olham torto.

Minha mãe já disse que eu sou estranha
Algumas amigas disseram
Umas pessoas desconhecidas disseram
E eu disse também.
E até hoje, se você quer saber, eu não sei exatamente o que eu sou.
Ás vezes encaro tudo com tanto mistério
Mas sou só transparência.
Revelo tudo, mas ninguém entende o que é, então fica tudo escondido.

Sou estrapolada, faço absurdos, fujo da minha idade e viajo pra Terra do Nunca que infelizmente não existe,

Vivo como um cigano idiota em busca de respostas que jamais encontrará.
Um cigano infeliz mas que está feliz por não participar, embora quisesse dar só uma participadinha pra minar a tristeza quando pesa muito.

Mais um Natal
Mais um ano novo


E antes eu aguardava ansiosamente porque tudo era mágico
E hoje a única coisa que é mágica é o meu desespero ao ver que tais datas se aproximam. E minha ampulheta que eu jurei honrar, polui.

Eu queria que alguém saísse de um quadro e dissesse: já de volta!!!!

E que eu entrasse pra dentro do quadro e tudo fizesse sentido
Mas estou fora de um quadro que não existe, me lamentando e tentando martelar algumas molduras quebradas.
Escrevendo como gente que pensa e deixando de agir, como é típico dos que não sabem o que é pensar.

Ninguém aí sabe o que é ser estabanada, desligada, esquecida...e odiar isso.
E ver semblantes decepcionados que esperam mais de uma pessoa que não-pode-dar-mais.
Ninguém sabe o que é tomar cuidado para não fazer barulho logo cedo mas tropeçar acidentalmente em algo que faz muito, muito barulho.

A minha vida sempre foi um silêncio que acabou por acordar o mundo inteiro.

Em todos os aspectos.
E ninguém sabe
Ninguém imagina
Ninguém sequer imagina
O quanto é insuportável às vezes
Ser Thaís.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Vinícius merece a homenagem, não?

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece....
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

Vinicius de Moraes

ps* o nome é "soneto de aniversário", eu amo tanto que quis dividir.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Eu e meus 25.

O que fazer exatamente quando se tem 24 anos e meio, e não se tem nada na vida que se possa chamar de "seu", a não ser seu RG, seu CPF, algumas roupas, perfumes e maquiagens?

O que fazer se quando com 15 anos você achou que com 18 ganharia o mundo?
E com 18 anos achou que com 20 ganharia o mundo?
E com 20 anos achou que com 23 ou 24 ganharia o mundo?
E com 24 achou que nada tinha jeito mesmo porque você já está quase nos 25 e 25 é quase 30 e 30 é quase 40 e 40 é quase 50 e um passo pros 60, que já é a terceira idade e quando você se der conta estará rodopiando entre senhoras de 70 anos num baile onde todos usam chapéu florido?

O que fazer, quando se tem 24 anos e nada, além de pessoas ao seu redor que ganham o mundo, e pessoas desconhecidas ao seu redor ganham o mundo, exceto você?
Pois eu te digo...
Depois de muita depressão, lágrimas, desespero, currículos enviados em vão e estresse: tentar de novo!
Bla blá blá, não esquente, esse não é um texto ao estilo Augusto Cury, do tipo "lá lá lá, tente de novo, a vida é bela, a flor é amarela e sua bunda é mole!"
Não mesmo!
A questão é que depois de muito (muito mesmo) esquentar minha cabeça com isso e quase enlouquecer pensando no futuro que sequer posso realizar por ausência completa de recursos, veio uma luz na minha cabeça enquanto eu estava com dor de cabeça e debruçada sobre minha mesa de trabalho em horário de almoço.
Então eu levantei, abri o Chrome e entrei no site que tinha me vindo na cabeça.
Fuçada no site, telefone, contato, Natalí, e-mail, informações, parcelas! Aliás, no meu caso, MUITAS parcelas né.
Pronto! Talvez realmente a solução esteja nisso aqui.
E dessa vez tem que dar certo (caso contrário morarei de aluguel e servirei bolinhos de carne com ovo no meu casasmento).
E se tudo der certo e eu me esforçar muito, muito, muito, muito, caso antes dos 30, consigo dar entrada numa casa e servirei coisas que ninguém vai entender no meu casamento, tipo "burlescos de morango com ganache de pirocópteros de Uganda".
Não que eu seja fresca hein, todo mundo que me conhece sabe que não, mas pow, casamento tem que ser digno (pareci uma bicha requebrando agora).
Isso tem me animado um pouco. Claro que está um pouco tarde mas nem sempre as coisas saem do jeito que a gente imagina.
Algumas pessoas dizem: Blá blá blá! Nunca é tarde pra começar!

Olha, sinceramente, acho lindo aqueles homens de 90 anos que resolvem fazer uma faculdade, é lindo, mas ele vai exercer aquilo com lucidez por quanto tempo? 5 anos? SE exercer né, quem é que vai dar estágio pra alguém com 90 anos se com 19 já é uma romaria? (Tá, eu sei que muitos fazem isso por outros motivos e esses outros motivos geralmente são lindos, mas vamos colocar o pézinho na realidade né amiguinhos).

Eu com 19 estava penando debaixo do sol na Consolação, procurando um número de uma empresa que eu achava que não existia, com o currículo debaixo do braço, calça social e uma vontade de esmurrar o mundo. Eu com 19 anos estava participando de processos esdrúxulos seletivos onde o povo do RH perguntava "quem é sua maior inspiração?" enquanto eu escutava respostas do tipo "Hebe, Ana Maria Braga e Ronaldo".
Eu com 19 anos estava fazendo provas de 182 fases pra ganhar menos que um salário mínimo num Call Center de lixo para "estar atendendo as pessoas".
Eu que com 19 anos rodei São Paulo inteiro num busão, aguentando salto alto furar meu pé e meu cabelo desgrenhar no metrô devido à imensa quantidade de sovacos suados me esbarrando.
Eu com 19 anos tinha que escolher palavras para convencer a empresa do "porque eu escolhi essa merda de empresa" e "que porras eu posso oferecer pra empresa" fora minha falta de saco de ficar presa num cubo com um computador, um telefone e um ar condicionado gelando minha bunda, mas preciso fazer isso porque é isso que a merda da sociedade me cobra? =D
Com 22 então, tive que estagiar numa editora que me demitiu em menos de 1 mês porque eu não cumprimentava o diretor com beijo no rosto (não, isso não foi uma piada, amiguinhos).
Eu sempre me dizia que se um dia eu tivesse um emprego estável eu participaria propositalmente desses processos seletivos para avacalhar total.
Teve um deles em que o povo teve que se descrever usando cachecol de pelinhos rosas e óculos de estrelinhas. Você deve estar se perguntando: Nossa, mas também qual é o tipo de lugar que você foi procurar emprego?
E eu te digo que esse lugar aí meu queridos, era o CNA.
O que fazer, meu Deooooz, se você é maluca o suficiente, DDA o suficiente pra saber que você não-daria-certo-de-jeito-nenhum-vivendo-como-uma-pessoa-normal-que-trabalha-em-algo-que-não-se-gosta-muito-e-você-é-estabanada-e-desligada-o-suficiente-pra-saber-que-não-atingiria-as-expectativas-de-uma-empresa além de saber que a pior merda que um ser humano faz é viver de algo que se detesta??

O que fazer se você é um ser que acredita piamente que só se deve fazer aquilo que te faz feliz, caso contrário você vai morrer sufocado, louco, estressado, reclamão e frustrado feito um velho tarado impossibilitado de bater punheta diante de um pornô com atrizes de 21 anos???? (eu de fato não sou delicada.)

Blá blá blá, claro, nem todo mundo consegue ir atrás dos seus sonhos pois tem gente que tem 90 filhos pra criar e crediários não pagos na Marabraz! Mas eu APOSTO que grande parcela das pessoas sequer pensou em tentar por acharem que não ia dar certo mesmo e que tudo é uma ilusão! Conheci muuuuita gente assim. De fato, não foram poucas!
E às vezes é melhor mesmo ficar quietinho no seu canto comendo sopão Maggi sonhando em participar da Roleta do Sílvio Santos e jamais ir atrás, do que se iludir zilhões de vezes como eu e nunca se decidir por nada =D.

Bom, mas eu preciso assumir! Mesmo não tendo porra nenhuma, minha vida hoje ainda é trilhões e vezes melhor que naquela época. Ah se é! Hoje eu posso não ter nada mas tenho algo que muita gente gostaria de ter: oportunidade de tentar viver de algo que se gosta, e não seguir a massa estressante dos cubos com ar condicionado e telefone. Na verdade eu acho que eu tenho é bastante sorte nesse sentido e não acho certo desperdiçá-la. Além disso, vai falar de "alcançar sonhos" pra lavadeira sofrida mãe de 12 filhos cujo marido a espanca todas as noites?
Nem todo mundo tem cabeça para se preocupar com sonhos, com uma vida melhor. Nem todo mundo sonha. Tem gente que tem problema demais pra isso, e isso obviamente não é uma crítica, mas uma realidade que todo mundo sabe que existe.
...

Mas peraí, eu não vim aqui falar de sonho e já estou falando da humanidade que sonha-não-sonha.
Vim aqui falar da minha vida estacionada feito um furgão quebrado e que eu preciso me mexer novamente para que ela se transforme em algo que não seja um furgão quebrado. Dane-se se as pessoas tem suas vidas cheias de frufrus ou suas vidas cheias de merda. Eu preciso pensar é na minha vidaaaaaaaaaaaa.
Então, dona Lurdinha com seus crediários na Marabraz...foda-se! Não sei nem porque te coloquei dentro da MINHA história. Que saco, eu e minhas manias de comparar as outras pessoas, de me justificar.
Pelo menos uma vez na vida preciso pensar no que EU vou fazer e não no que OS OUTROS estão fazendo, ganhando, pagando, metendo! Argh! Se os outros sonham, se os outros não sonham, se os outros estão felizes, se os outros não são!
Affe! Como se todo mundo fizesse parte da minha vida, e nada disso faz parte da minha vida!
Ah vão se catar vocês! Se não querem ir atrás de seus objetivos, fodam-se. Se querem e conseguem, fodam-se! Se têm 12 filhos, fodam-se! Seus crediários nas Lojas Piriquito de Moçambique FODAM-SE! Se eram pobres e ficaram ricos....FODAAAAAM-SEEEEE!!!!!!!!

...


Bom, mas voltando ao assunto dos idosos que fazem faculdade com 90 anos, diferente deles, eu quero é ter a minha vida toda pra exercer um monte de coisa, mas acho que é porque eu tenho pressa né, outras pessoas não tem, por exemplo, esses senhores de 90 anos que resolvem fazer uma faculdade, bichas de 82 anos que resolvem se assumir e tal. Cada um é cada um, mas eu to citando o meu caso.

Então, mais uma vez, lá vou eu, tentar novamente! E escutar frases do tipo "Nossa, mas você já tem 25?".
E aí eu vou sentar em frente a uma cantina, me sentir velha, lembrar que 1 ano passa rápido e depois mandar tudo pra PQP e ser feliz.

Eu e os MEUS 25!

MEUS e de mais ninguém!!!!!!!!!!

;)

domingo, 19 de julho de 2009

Liberdade de escolha

Um assunto sempre em pauta pra mim, é traição. Já passei por isso e hoje sei que as pessoas são muito diferentes, tento não generalizar, por isso falo muito e tento entender o assunto. Sempre namorei, nunca fui de sexo casual e por isso não criei esse hábito nem esta vontade. Acho que esse é um dos motivos pelo qual nunca entendi as pessoas que mentem para tê-lo. Algumas teorias passam pela minha cabeça, mas o ser humano é único e as próprias pessoas passam a vida sem se conhecerem, por isso nem tenho a pretensão de resolver nenhum dilema desse nível.

Hoje entendo que o casamento - deixando um pouco de lado a parte boa de morar junto com alguém e partindo pro lado ruim - é um decisor de águas para este auto-conhecimento. A intimidade "ruim" se faz presente, dormir, acordar, ver as mudanças de humor, conhecer o outro sem máscaras e maquiagem não é algo a que todos os relacionamentos resistam. As surpresas que acompanham um relacionamento novo ou um simples caso, não existem mais, mudam, migram para outros tipos de benefícios. E quem tem a sua auto-estima toda baseada neste processo de conquista, surta e vai procurar satisfação fora, enganando o parceiro ou a parceira para "sobreviver" dentro dessa situação. Esta é uma teoria.

Outra teoria é mais para a sacanagem mesmo, o prazer da vida dupla, de enganar, de alguma maneira tirar proveito de uma situação onde um sempre sai perdendo para se auto-afirmar, se sentir com o poder. Mas prefiro acreditar que os/as canalhas são minoria.

Dizem que não nascemos para a monogamia. Eu concordo, já que somos simples mamíferos que aprenderam a pensar, se comunicar e trabalhar, nos diferenciando dos demais. Porém, quando o casamento ou o namoro é uma escolha, e é, deve ser vivido intensamente dentro dessa opção. Isso inclui monogamia, dentre outras coisas. Ninguém gosta de ser enganado, passado pra trás, feito de idiota, ser magoado.

Creio que são corajosas as pessoas que abrem seu relacionamento. "Ok, eu te amo, você me ama, mas não nascemos para fazer sexo só com uma pessoa, então vamos não fazer. Você faz o que quer com quem quer, eu não preciso saber e vice-versa, à noite a gente se vê". Precisa ter muito estômago e sangue frio, eu jamais conseguiria apesar de achar louvável quem encara ir contra todo um modo de viver de uma sociedade. Adoro me sentir especial, preciso disso para viver, aliás quem aí não?

O homem e a mulher que enganam com a desculpa de viver a vida 100% em sua plenitude, acabam não passando de covardes que se escondem atrás de seus próprios desejos para não precisarem mudar sua vida, não precisarem encarar uma sociedade que julga e aponta o dedo pra quem vive como quer e não como está estipulado. Esta é só uma opinião, baseada em algumas atrocidades que eu tenho ouvido por aí: homens com mulheres grávidas mandando o papinho para tentar levar outras para a cama enquanto a esposa se distrai, mulheres passando o msn para estanhos enquanto o namorado vai ao banheiro, maridos que levam vidas duplas e trazem DSTs para dentro de casa.

Pode até ser difícil manter a paixão acesa por 5, 10, 20 ou 3o anos, mas não vamos esquecer que a escolha foi de quem escolheu. Ou se a escolha foi falha, é só mudar. Solteiros podem se relacionar com qualquer coisa que se mova (ou nã0) a hora que querem e como quiserem, é só ter a coragem de encarar as consequências de uma mudança. E colher todos os frutos bons que vão vir dessa verdade.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Marcos Júnior.

"A vida da gente não é nada"

"Nós não somos nada"
"Nós não somos ninguém"
É o que eu escutei hoje cedo de mais de uma boca.
A Val é uma mocinha de 20 anos que trabalha aqui no setor da limpeza.
Por seu riso infantil e seu jeitinho de chamar a todas nós de "neguinha" com seu sotaque incomparável, tínhamos todos um carinho especial por ela. Era a nossa menininha. No dia em que disse que era casada há 6 anos, a gente não acreditou. E quando ela disse estar tentando ter um bebê nesse tempo todo, acreditamos menos ainda.
No começo do mês, quando a menstruação atrasou, veio toda ansiosa nos contar, afinal, a menstruação nunca havia atrasado.Não sabia se comprava o teste de gravidez ou não, mas a gente insistiu.
"Vai lá, deixa de ser boba, compra o teste logo!"
E foi na semana passada se não me engano, com um sorriso no rosto veio nos dar a notícia de que finalmente ia poder ter seu bebê! Estava no primeiro mês.
Se nascesse, teria o nome do pai: Marcos!
Marquinhos! Marcos Júnior!
E eu ainda cutucando, dizendo que Marcos já tinha um, então não tinha que chamar Marcos Junior coisa nenhuma!
"Vai Val, que outro nome você gosta?"
"Ah minha neguinha, tem tanto nome bonito por aí! Eu queria mesmo era Marcos Junior, mas está todo mundo implicando porque o pai já tem o nome."
"Ah, Valéria, põe...sei lá, Fernando! Fernando não é bonito? Eu te ajudo a escolher, vou fazer uma listinha!"
"Fernando é bonito, mas eu ainda não sei. Vamos ver mais pra frente então."
Enquanto escrevo aqui me vem alguns flashes na cabeça do dia em que eu pulei em cima dela e passei a mão na barriguinha. Ainda na semana passada pedi pra ela gravar o DVD do ultrassom e nos mostrar!
"A gente dá a mídia, Val, não se preocupa!" - disse a Silmara, também grávida (mas de 7 meses), também feliz.
Bom.
Estou escrevendo isso numa segunda-feira, dia 6 de Julho. Eram umas 9 da manhã quando a Nega chegou pra trazer o café (Nega, leia-se a senhora que nos traz café).
Eu estava no telefone com meu namorado mas quando ela adentrou não pude deixar de saudá-la com meu costumeiro grito de "Neeeeeeeeeega bom dia!"
Mas desta vez a Nega não deu seu gritinho em resposta também. Não veio me abraçar. Simplesmente com um sorriso fraco no rosto disse um "oi amor" meio xoxo.
Então ela saiu da sala e depois de alguns minutos desliguei o telefone.
A Nega entrou novamente para pegar não-sei-o-que.
"Nega!" - chamei.
"Oi meu amor."
"O que você tem, Nega? O que aconteceu pra você estar com essa cara?"
"Lembrei muito de você e da Silmara no fim de semana."
"O que aconteceu?"
"A Val. O marido dela. Faleceu num acidente de moto."
Antes que eu pudesse processar direito o que havia acontecido, as lágrimas já começaram a cair sobre o teclado do computador.
"O que você está me dizendo, Nega? Você está brincando comigo?"
"Eu adoraria estar brincando, filha, mas foi isso o que aconteceu. Sexta-feira, às três da tarde. E ela só foi saber no sábado, no mesmo horário. Ele sumiu e começaram a procurar desesperados. A irmã foi reconhecer no IML. Do peito pra baixo só sobraram...tripas."
Tive que respirar fundo pra continuar a escrever. Parece que a moça que tentou socorrê-lo teve que ser recolhida aos pedaços. No caixão me disseram que ele parecia um boneco. O couro cabeludo teve que ser colado de volta à cabeça.
Me veio uma vontade de rir.
De rir de desespero.
Rir de pânico.
Rir de medo.
Rir de desespero e chorar de desespero ao mesmo tempo.

"A vida da gente não é nada"
"Nós não somos nada"
"Nós não somos ninguém"

Eu não concordo com o que eu tive que escutar.
O que eu acho é que a gente dá pouco valor às coisas, apenas isso.
O que eu acho é que a gente faz muito pouco, a gente vive muito pouco.
Mas nada nós não somos, tampouco a nossa vida se assim quisermos.
O nosso corpo, isso sim, embora estruturalmente perfeito, pode ser desfeito em questão de segundos.
É comestível, destrutível, altamente inflamável, descolável, despedaçável.
Mas não nós, não nossa vida.
Repito: se assim quisermos.

Eu tinha escrito muita coisa depois disso tudo aí que escrevi aí em cima. Muito diferente do que tudo o que escrevi aí embaixo. Inclusive já estava começando a xingar meio mundo por desprezar o que realmente importa. Por dar valor à coisas ignóbeis, estúpidas e hipócritas. Por desprezarem a capacidade que as pessoas tem de deixarem um legado de amor e justiça. E não estou falando de assassinos, psicopatas, drogados. Não estou "revoltadinha com o mundo porque o mundo é uma merda". Estou falando de pessoas comuns, estudadas, que tem inteligência para serem os melhores em suas profissões mas não tem inteligência para ouvir verdades e aceitá-las.
Gente que ensurdece às verdades e banaliza o fundamental. Gente cruel que indiretamente assassina os valores, mas que passam despercebidas à nós como nossos amigos de "gênio difícil", como nossos conhecidos "complicadinhos."
Tornando-se tão temerosas quanto um assassino e um psicopata. Valorizando a vingança, valorizando o ódio, valorizando picuinhas sem nexo.
Estamos cheios de assassinos aqui. E a gente muitas vezes os suporta num bar porque são legais e engraçados.
Mas enfim, alguns bons momentos de reflexão e de algumas lágrimas me fizeram parar pra pensar um pouco e escrever exatamente isso:
A única coisa que eu queria frizar aqui é que o que somos não é destrutível (abalável talvez), apenas invisível aos olhos, mas completamente visível ao coração.
Nosso corpo foi feito para ser utilizado, cuidado mas para desaparecer no final como atores por trás de uma cortina depois que o show acaba, mas o que fizermos pode ficar pro resto da vida e fazer uma grande diferença por gerações. Como um espetáculo que jamais será esquecido na lembrança.
Crentes de tudo
Ou descrentes de tudo
Que possamos fazer nosso melhor
Para dar sentido à nossa existência.
O sentido da vida a gente é quem cria
E aí, frases como aquelas tornam-se errôneas.
A vida da gente é tudo!
A gente é alguém!
É por isso que estamos aqui.
Que o sofrimento nos faça pensar, e não desistir.
E digo isso depois de muito descrer.
E digo isso depois de muito duvidar.
Mas saber eu não vou mesmo, ninguém vai. Embora todos questionemos, é um questionamento em vão.
Vamos todos questionar e chegar a algumas conclusões, porém talvez nunca à verdade.
Por isso repito: crentes ou descrentes, que possamos tornar visível o que é invisível.
Para não sofrermos
E principalmente para fazer valer a pena.
Que possamos amar enquanto vivos
Viver enquanto vivos
E sermos úteis, o que faz todo o sentido do mundo.
Eu soube que a Val pediu a Deus para que na hora do parto, ele a levasse e deixasse o bebê para sua família cuidar.
No lugar dela eu talvez não tivesse forças para falar
Mas como alguém que soube da notícia às 9 da manhã enquanto estava no computador, o que posso desejar é que seu filho lhe traga felicidades em triplo por tudo o que hoje ela sofre.
E que através dele, ela descubra um sentido em sua vida que hoje não é capaz de enxergar.
Que o tempo possa ajudar a trazer sentido àqueles que ficaram.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Culpados, doentes e infelizes.

Conheço um bando de gente que está doente. Pessoas comuns, que têm namorado, têm dinheiro o suficiente pra viver sem passar necessidades, têm filhos, têm boas intenções e alguns valores nobres, têm emprego e medo, muito medo. Perdem a saúde e não sabem muito bem pelo quê.

Estão acuados. Sentem que está tudo muito errado, algo vai muito contra os seus instintos mais íntimos, mas não sabem muito bem definir como nem o que. Aprenderam na escola e na vida o pensamento que separa: matemática de português, o branco do índio, sociologia de psicologia, economia de finanças, não sabem juntar lé com cré, nunca tiveram a visão do todo. Aprenderam, graças aos computadores, que quando algo “dá pau”, é sentar e esperar, que não há nada que se possa fazer. Aprenderam também que história é chato e não entendem como se pode aprender com os erros das sociedades do passado.

Assumem a culpa quando ouvem na TV que sustentam o tráfico de drogas e que votam errado, elegendo canalhas que acabam com a sua própria vida. A culpa é toda deles, eles assumem, sem pensar no que estão fazendo. Não percebem algo como a seguinte metáfora: uma criança sadia é levada para viver numa cidade onde só existem pessoas contaminadas com um vírus qualquer. Quando essa criança cresce - e lembrem que ela cresceu neste ambiente contaminado e tem idéias e valores que aprendeu exatamente neste mundo - alguém diz pra ela que a culpa dela estar doente é só dela. Que devia ter lutado, que devia ter conseguido ferramentas para sair dessa cidade, que devia ter tido menos medo de se contaminar, e que assim não teria se contaminado. Porém, o mundo ao redor dela dizia outra coisa, dizia que estava tudo certo em pegar o vírus, pois todos o tinham, mesmo. Mas ela se convence que a culpa é dela, e continua lá na cidade, culpada, doente e infeliz.

Somos nós neste ambiente contaminado. E somos levados a pensar que a culpa por não reagir é toda nossa, porém em nenhuma instância é nos dada a mínima condição de reagir a nada. Não é mesmo pra gente reagir, e não é por acaso. Não só pelo nosso passado e pela maneira como aprendemos a viver, mas pelo próprio presente: o que existe além de uma corrida desenfreada por um bom emprego e dinheiro? Toda nossa vida gira ao redor disso, até nosso lazer é determinado por isso, pois se você sai e se diverte a noite toda, não acorda para trabalhar amanhã. E não dá tempo de pensar em criticar, além de não termos aprendido a criticar nada que não seja besteira, como a roupa alheia ou a celebridade na TV. E vamos enriquecendo a empresa, enriquecendo o sistema que nos controla, enquanto ganhamos o necessário somente para "viver", isto é, quando ganhamos. E essa vida pau-no-cu, essa mesma vida que nos adoece, ninguém precisou nos impôr, nós aprendemos a querer isto. É como um escravo que livremente se candidata à vida escravizada.

O mais impressionante são os extremos a que isso tudo leva: como não vemos jeito pra arrumar a coisa, aliás nem sabemos por que a coisa chegou onde chegou, começamos a pensar que “o único jeito seria acabar com tudo e começar de novo”. Quem nunca ouviu ou falou isso? Pensamento-Capitão-Nascimento. Só que esquecemos que quando matamos as formigas mas deixamos o açúcar lá onde ele está, as formigas voltam. Quero dizer que nestas mesmas condições em que vivemos, a próxima geração provavelmente nasceria igual. E seriam seus filhos. Talvez mais pobres, mais alienados, mais infelizes, mais criminosos, não melhores.

Onde houver lucro, haverá miséria. Onde houver competição (e não cooperação), não haverá bondade nem força de vontade que resista à infelicidade. São coisas inerentes umas às outras, realidade que não podemos questionar. Mas não percebemos nada disso, não fomos educados pra perceber nada. Achamos que tudo isso é muito normal e continuamos a assistir nossa TV, a ver nossas bundas e peitos, achando que o mundo sempre foi assim e que sempre será.

A arma pra combater esse sistema? Não sei, sou só mais uma ovelha nesse rebanho cabisbaixo e alienado. Mas tendo a pensar que somente o fato de nos conscientizarmos que a infelicidade não vêm da gente e sim de fora, já é um começo.

E sem essa verdade, não haverá décimo terceiro salário que cure stress de um ano inteiro adoecendo pela empresa, não haverá filho que resista à ausência de um pai, não haverá cerveja que amenize a dor, não haverá bunda que traga gozo aos homens nem antidepressivo que traga a felicidade a quem precise dela.

Enquanto isso, vamos em frente, culpados, doentes e infelizes.

terça-feira, 23 de junho de 2009

O Bolo de Morango não vai me matar.


Eu não sou a pessoa mais tranquila do Universo naquilo que diz respeito e à espiritualidade.

Sou questionadora e por causa disso, medrosa, porque não consigo acreditar no sr. Jesus e no "Senhor" do jeito que as pessoas acreditam.
Sinceramente, é uma teoria linda, e num romance cairiam muito bem ambas as figuras.
Saca só que coisa brilhante, você se foder completamente no Planeta Terra mas ainda assim saber que não está e nunca estará sozinho, pois tem um Pai grandioso que te ama e que quer seu bem.
Sem ironia, é algo muito bonito. Mas que não me cabe, conforme eu já disse em zilhões de textos.
Não sou cética, acredito numa porrada de coisa, isso inclui espíritos, espíritos bons, espíritos maus, energias positivas de luz e energias negativas que podem nos deprimir e atrasar nossa vida.Não sou espírita! Quando falo que acredito em espíritos me perguntam se eu sou espírita! NÃO SOU, sou contra zilhões de coisas do espiritismo e não concordo com uma parcela de suas teorias e crenças!
Acredito que pessoas tem suas energias, acredito em reencarnação, em vida após a morte.
Acredito!Não porque me contaram, porque já me contaram muita coisa, mas porque creio ser uma hipótese um tanto quanto lógica de acordo com o que penso.
Acredito num fluxo doido de energia que está em cada particulazinha de vida! E esse fluxo é lindo, inteligente e encantador, mas daí chamar isso de Papai do Céu e passar a vida toda bajulando isso e "louvando", pelo menos pra mim, ultrapassa os limites da fantasia.
Aí as pessoas vêem as plantinhas e dizem que são criação do Divino, e aí elas chamam "Jesus" de Deus e chamam Deus de Jesus, e diz que um é filho do outro, mas aí me pergunto: O que tem Jesus a ver com o fluxo vital que faz as plantinhas crescerem?
Tipo, tudo parece tão inteligente a ponto de ser bem maior do que palavras na Bíblia ou que as barbas do afável Nazareno.
Bom, mas é justamente por não acreditar em tudo isso e questionar cada vez mais as condições humanas e os acontecimentos mundanos, que eu cheguei à um estado de pânico total.Cheguei ao ponto de caminhar pela rua com medo de um bloco de cimento cair em cima de mim ou imaginar um tiro atravessando minha cara enquanto eu comia brigadeiro de panela vendo TV.Tentei apelar pra antidepressivos mas me fizeram vomitar! Ano passado fiz tratamento com sertralina e que me fez sentir muito melhor, mas por algum motivo desconhecido eu passei muito mal com ela desde que comecei a tomar novamente. Tive que parar. Tive que partir pra outro método. Um método que se funcionar, se tornará imensamente melhor! Que pra muitos não funcionam mas se eu tentar, acho que consigo a longo prazo.
O fato de existir algo por trás disso tudo não quer dizer que esse algo é o Papai Noel.
Quero dizer que há uma força criadora, mas quem garante que essa força é o Hitler que eles citam na Bíblia?
O Deus mesquinho que necessita que seres humanos sacrifiquem outros seres para provarem que lhes são devotos?
O Deus mesquinho que castiga caso seu próprio filho não o aceite?
O Deus ditador, o Deus cruel, o Deus que na verdade mostra-se ser o próprio capeta que tantos temem?
Mas ao mesmo tempo, Ele é o Deus misericordioso e bondoso!
Como pode isso?
Que porra de contradição é essa?
Eu estava discutindo com meu namorado estes dias e a gente chegou à conclusão (na verdade ele chegou à conclusão e eu acatei) que boa parte das pessoas (boa parte, amiguinhos, eu não quis dizer que TODO MUNDO é assim, prestaram atenção?) tem religião, rezam e louvam é por medo de ir pro inferno. Tudo na verdade se resume a isso.Eu não to dizendo que isso é consciente, mas acaba sendo um pouco inconsciente! Muitas regras são seguidas pelo medo em si sem o questionamento.
Porque é isso que a religião prega. Você tem o livre arbítrio! Você pode aceitar Deus como seu salvador ou não! Olha só que legal! Você pode escolher! Mas se você escolher o oposto, vai pro inferno!
Olha só que legal!
"Filha, você tem poder de escolha! Eu fiz dois bolos pra você! Você pode escolher entre o bolo de baunilha e o de morango, mas no de morango eu coloquei chumbinho, se você comer você morre babando e sufocada com a própria tripa! =D E aí, qual você quer?"
É exatamente isso que acontece.
Por mais que você prefira bolo de morango, você não quer se foder, quer? Então o que você faz? Come o bolo de baunilha pra não morrer, pra não passar mal, pra não "sofrer".
Bom, a questão é...eu andava muito medrosa estes dias e realmente estava um pouco afastada desse lance espiritual todo, então ontem à noite resolvi ter uma conversinha com os seres que acredito, o que se resumiu em uma oração que parece alivou 90% dos meus medos e me deu uma noite de sono como eu não tinha à muito tempo.
Eu sei que ninguém pode decidir minha vida e me salvar, mas acredito que existam seres que possam fazer com que a gente se sinta melhor. Afinal, se existem seres pra atrapalhar, também existem seres pra ajudar.E não tô dizendo que eles existem porque já ouvi dizer, eu já vi, e já aconteceram coisas comigo que a ciência não vai explicar nunca!
Me apego a isso.
Então comentei com a moça que trabalha comigo que é uma pessoa bem convicta digamos, que eu havia feito uma oração ontem antes de dormir e ela toda contente me entregou na hora um CD e disse: Põe na música 3!
E lá fui eu colocar na música 3.
E comecei a escutar a música 3.
E tentei escutar a música 3 sem preconceito algum (juro), imaginando que talvez realmente tivesse uma mensagem bonita.
Mas aconteceu exatamente aquilo que eu imaginava que ia ouvir! Uma bajulação eterna ao Senhor.
Algo assim: Existe um lugar onde não há tristeza e esse lugar é no Senhor. Existe um lugar onde estou segura e este lugar é no Senhor.
Tipo...senhor, senhor, senhor! Esse tal de senhor é o que? Um resort? Um spá? Um puf? Uma poltrona? Todo mundo descansa nele! E lá é lindo, não existe bondade e o sistema de segurança é mais eficaz do que o do Bope!
O tempo todo o senhor!
Esse tipo de coisa pra mim soa vazia.
Não existe mais nada no mundo que não seja o Senhor!
São louvores vazios, bajulação à toa que não quer dizer nada! Algo que não cheira nem fede pelo menos para o meu espírito!
Pensar no senhor não me fortalece, mas pensar no bem que posso fazer às pessoas e no modo com o qual posso levar a minha vida, através de justiça, solidariedade e vontade, isso sim me fortalece. Pensar no quanto tudo é demasiadamente importante e que devo aproveitar tudo da melhor forma e fazer a minha parte, e ter motivação para isso, e buscar motivações pra isso, através da arte, dos gestos, das palavras, isso sim me fortalece! E numa oração consigo me concentrar o suficiente para pensar nisso tudo e sentir que existe algo bom perto de mim se eu quiser que isso se aproxime!
Pensar no mundo como um todo talvez me fortaleça, mas não apenas falar do senhor. Isso não quer dizer nada.
Ah o senhor! Tá... e daí?
No que isso vai contribuir para que eu seja uma pessoa melhor e faça do mundo um lugar melhor?
Esse conceito que envolve o senhor é mesquinho. Pessoas querem SE salvar, SE purificar, SE acomodar no senhor, mas não são capazes de cantar uma música que fale sobre a vida, sobre as pessoas, sobre o mundo, sobre formas magníficas de fazer uma pessoa feliz e de buscar a própria felicidade através de atitudes e etc.
É tudo muito mesquinho, tudo muito conveniente. Conveniente demais.
Por isso eu digo que não me cabe. Aliás, não que não caiba. Não encaixa! Sobra espaço!
Para mim é tudo muito maior!
Em seguida começou a música 4, que agora trocava o repeteco "senhor" por Jesus.
"Jesus, Jesus, Jesus, Jesuuuuuuuuuuuuuuus"
Argh!
Fechei o Media Player, isso tava me enjoando o estômago, e em vez de fortalecer meu espírito fortaleceu mais foi minha falta de saco.
É o que sempre digo! O autor de um livro quer que elogiem sua obra e não sua auto biografia! Querem passar mensagens através do que escreveram, e não sobre sua vida pessoal. Se existe um Deus, tenho absoluta certeza que ele prefere que a gente perca nosso tempo nos voltando à tudo o que ele criou e não à sua imagem!
Outra coisa! À pouco tempo foi noticiado que alguns ônibus estavam circulando pela Europa com mensagens ateístas, do tipo "Deus provavelmente não existe, então relaxe e aproveite!". Algo assim!
Choveu de gente criticando a atitude! Disseram que era um absurdo, uma blasfêmia e blá blá blá!
Só que aí rola uma contradição que beira o cômico! Se Deus nos deu o livre arbítrio, ele nos deu a opção de crer nele OU não crer!
Então somos livres para nos expressar quanto a isso. Se um devoto tem direito de espalhar cartazes dizendo que Jesus te ama e que Deus existe, um ateu tem exatamente o mesmo direito de tornar públicas as suas crenças!
Eu não me considero ateísta, não me considero devota de nada, não me considero católica, cristão, evangélica, espírita ou budista! Mas acredito que se uma pessoa pode expressar sua opinião, a outra também pode, ou então ninguém expressa nada!
Eu não concordo com um monte de cartaz que diz que Jesus vai voltar e não me revolto! Você não vê pessoas dando xiliques por aí por causa disso, então porque tantos xiliques pros ateus que resolveram se expressar?
Crença é crença, não interessa! Um satanista tem exatamente o mesmo direito que todo esse povo que fica pregando nas ruas!
Não acredito que seja muito saudável porque não curto nada voltado ao satanismo, mas o direito deles é o mesmo!

Bom, mas concluindo...
Após a oração de ontem, me senti muitíssimo melhor, comecei a repensar algumas coisas e tive motivação para viver a minha vida da melhor forma.
Não acho que eu deva deixar isso de lado novamente!
Acredito nesse fluxo doido, mas o Senhor que me desculpe, eu prefiro o bolo de morango, e eu tenho convicção absoluta de que não irei sofrer por causa disso!