domingo, 21 de setembro de 2008

Divagações da acetona

Ando sentindo um arrependimento de novela, daqueles bestas, de tão caricatos. Sempre pensei que tudo na vida tinha um propósito e dependemos disso para melhorar, né. Mas eu aprendi que nem tudo. Porque eu simplesmente amaldiçôo o dia em que comecei a tirar a minha cutícula. Pior: o dia em que decidi fazer as unhas da mão toda semana.

Antes disso, era meio velado, mas praticamente tudo era permitido: desde tirar caquinha de nariz no metrô na maior calma, até a arrumar a calcinha que insistia em entrar na bunda sem se preocupar se tinha alguém olhando. Sentar meio jogada (não de perna aberta, entendam), sair pra trabalhar de cara lavada, ok! Sombra, gloss, o que era isso mesmo? Comer salgadinho e limpar a mão na própria calça, comer comida que caía no chão, se ralar toda nos tombos, sem problema! Depilação, só com gilete e quando dava. Falar e rir alto não causava comoção geral. Até as tentativas de aprender a arrotar passavam meio despercebidas. A justificativa era clara: não importava, porque eu era uma menina que não fazia as unhas da mão regularmente. Isso explicava tudo.

Tudo mudou quando comecei a entender o que era uma unha francesinha. A fazer as sombrancelhas regularmente. A clarear os pelinhos do braço. A pintar as unhas do pé de vermelho. A depilar virilha e axilas com cera. Mas, a merda do pêlo dói tanto pra sair que deveria ficar meio ano sem nascer, as unhas ficam borradas e quebram de tanto que eu me debato no meu dia-a-dia, o pé está sempre sujo de andar no chão descalça, é uma luta perdida, em vão.

A diferença é que, antes de eu ter a brilhante idéia de fazer as unhas toda semana, eu não dava a mínima pra essas coisas. Agora, me sinto uma criança da AACD vestindo saia-lápis e preocupada em não se sujar, não cair, não sentar toda jogada, não borrar o esmalte, não rir tão alto com a boca melada de gloss. Fico até com dó de usar tanto creme Victoria Secrets, olha que inversão de valores. Antes eu não sabia o que era hidratante facial, e minha pele não era pior por causa disso. Eu estava inserida numa categoria distinta das mulheres humanas normais.

Certeza absoluta que hoje eu seria um pouco mais fedida e rejeitada pela sociedade, mas que eu devia ter continuado com as cutículas virgens, ah devia. Porque se antes eu era uma párea da sociedade com as manhãs de sábado livres, agora sou um moleque preso na pele de uma perua sempre ocupada. Call me freak.

11 Comments:

Anônimo said...

Taaaaaaaaa
Amei ter te achado por aí (orkut so serve pra isso)adoreeeei seu blog tambem, mas tenho que concordar vc nao era nada perua, ate me vieram umas imagens na cabeça kkkkkkkkkk

beijo minha flor
Tati

Thaty said...

hahauhahuahhua
adorei o final!!!
;P
otimo!

Thaís SBA said...

Hummm, eu sou um moleque preso na pele de um moleque ocupado, poém com as manhãs de sábado livres hahahah! E minhas cutículas são tão temerosas que se você olhá-las vai escrever um texto só pra elas hauhsuhashuas!
Mas tudo bem, Thá, o que importa é que vc tem bom coração hahaha!

Bjokona, adorei o texto.

Christian said...

Mesmo vc perdendo a manhã dos sabados por causa das unhas..tudo bem..rs...amo vc mesmo assim..rss

Chris

whiteposernigga said...

Ok, pare de tirar suas cutículas.

Mas não, por favor, não pare de se depilar.

uahuhauahuhauahah

Anônimo said...

ah nao vem querer me enganar, onze em dez palavras suas sao palavrao.
justo? justo. Soq perua tem mais classe, bi.

ass: precisa assinar?

Mulher do Padeiro said...

Hahahahaha, abaixo a ditadura das cutículas, também quero voltar a usar tênis com moletom todo dia!!!

Muito bom, como sempre!!

Beijo!

divarosachoque said...

Pois é, por trás de toda perua há uma mulher das cavernas que morre de vontade de entrar em quarentena de unhas, pêlos e afins. hohohho.
Bjus!

Anna O.
Divã Rosa Choque

Ane Talita said...

ahauhauhuahuahuahuahua

eu ainda não faço as unhas regularmente!!!!
lero lero lero!
(tá...está na hora, já tenho 21 anos...Mas não sou fedida, tá? ahuhauahu)
=)

beijos...

Flavinha said...

Inverta a situação e pense no sofrimento de uma perua que vive presa no corpo de um moleque - that's me :P

Beijo!

Ju Queiróz said...

Muito bom, Thá!
Agora que trabalho no centro não perco mais a manhã dos meus sábados! Isso precisa ser levado eu consideração na decisão do local de trabalho! hahahahaha