sábado, 3 de maio de 2008

Nas Entranhas de Marina

O que você estava fazendo ao lado do móvel, Marina?
O que você estava fazendo ali?
Eu matei você, eu enterrei você
Cobri você com terra
Depois eu atirei cimento
Coroei seu túmulo com flores
Enchi seu velório de velas!
E como você me aparece, Marina
Como se jamais tivesse sido enterrada?
Como você aparece bonita, sorrindo, corada!
Como se não fosse você
Como se não passasse por nada!
Como se jamais
Tivesse sido assassinada.
Saltite, Marina!
Saltite sobre mim, mecha nos meus cabelos
Me enfie o dedo no nariz
Me pegue pelos cotovelos.
Mas apesar de tudo, menina
Eu me odeio, eu me culpo, Marina
Porque fui eu
Quem escavou a terra
Quem restaurou suas fotos
Quem apagou suas velas
E pôs sua imagem nos fogos.
E bebeu a sua bebida
Ligou na sua programação
Beijou você nos meus delírios
Perdeu o texto e a noção
Plantou valquírias, plantou líros
Na porta da sua mansão.
Ah, Marina, morra Marina!
Morra pra sempre sem precisar de mim
Morra de sede, de câncer, dos rins!
Morra de tanto beber
Morra de tanto sofrer
Morra de ódio contido
Morra de peito ferido
Sangre até falecer.
Morra, menina, já não posso mais te suportar
Sua cabeça eu irei coroar
Com a auréola dos anjos caídos.
Morra, Marina, morra para que eu não me apaixone
Para que eu não pegue o telefone
Para que eu comece a te ligar!
Ah, menina Marina, por você eu cortei meus braços
Por você eu desfiz meus cachos
Por você eu me arrebentei
Arranquei para fora os meus pés
Minhas mãos na foguera atirei
Fiquei completamente dependente de você
Parece música sertaneja!
Enfeitei teus lábios com cereja,
E mordi como se fosse doce
E como se nem isso me desgraçasse!
Chorei no seu travesseiro
Estiquei na sua caminha
Levei choque no chuveiro
Saí de casa sem calcinha.
Dirigi com os meus pés descalços
Bati num poste da avenida
Venci você pelo cansaço
Puxei você pela saída.
Marina! Perdi a Luta!
Marina, filha da puta!
Marina, sua desgraçada
Menina desnaturada!
Marina...ei, Marina, acorda.
Que foi? Tá muito forte a corda?
Que foi? Não vou chamar ninguém!
Já que é pra sofrer, que eu sofra
Mas que você sofra também
Enforca, enforca, putinha!
Quero ver você morrer
Sem a mesma ladainha!
Ah! Doce sofrimento eterno
Que gira ao contrário meu mundo
Pois se eu me foder no inferno,
Sorria que você vai junto.

6 Comments:

Tha Basile said...

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaah foda.
eu ja tinha lido mas ler de novo é bom!!!

beijos, aranha!
Tha

Thaís Santezzi said...

Calma gente!!!! Um de cada vez, tanto comentário assim não vai sobrar espaço hhuashusahusahuas!!!!!!!!!!!!!!!!!

thaismbasile said...

hahaha
eu to aqui, hein! de nuevo!
vc ta LINDA de cabelo curto.

Thaty said...

Oo
jesus!

a revolta mais poetica e linda que eu ja li!

AMEI!

:D

Thaty said...

THATY TBM DIZ:

você tá linda de cabelo curto, Thá!

Thaís SBA said...

Obrigadaaaa gente!!! Hahahhah olha só, já temos 6 comentários, que super legal!! Hhusauhahusa!!!!

Bjos pra vcs duas, lindonas!