É difícil explicar a minha ansiedade e o meu medo dela. É como se meu estômago fosse tomado por mil borboletas frustradas em busca de algum pólen restrito e abençoado. Em nada adianta voar, estão presas pela pele, no escuro.
A ansiedade me causa insônia, amigdalite, prisão de ventre, espinhas, mau humor, lágrimas. É complicado explicar a quem simplesmente raciocina e não sente. Vamos! Sinta essas borboletas malucas e impotentes diante de um mundo céu tão grande para se voar.
Diante das dificuldades, tento não pensar muito no futuro, tento viver, um dia de cada vez, o cotidiano de Chico, os poemas de Drummond, as cartas de Vinícius, as borboletas de Shakespeare. Não é suficiente. Sábios dizem coisas sábias, eu tenho dúvidas de morrer. Será?
Homeopatia até que vai bem, contudo é preciso algo mais forte, um café amargo, um beijo inesperado, um abraço apertado, o pensamento positivo, o choro frustado, a página virada, a janela escancarada e o medo delas.
Abro-me em frente à janela quebrada e sinto o sol. É como se a liberdade me chamasse para brincar, mas não posso, não devo, tenho obrigações aqui dentro. Por um minuto penso se vale a pena, sei que vale. Só tenho medo do fracasso e isso não é pecado, é?
Elas saem num voo desesperador, fugitivas de mim. Só mais alguns dias para a glória, para a conquista, para o nome ser publicado, para a garganta parar de doer, para dormir, para voar. Já vou, pequenas flutuantes, estou ocupada agora, mas já vou.
Elas voltam. Por quê?
Trazem o otimismo e a força e querem se trancar novamente.
Paulo Coelho
12 minutos atrás

6 Comments:
Tava sumida! Saudade dos seus textos!
Ih amore...na verdade a força vem de não precisar ter medo nem ansiedade, ne? Mas é tão difícil...luta nossa de cada dia.
adoreiiiiiiiiiiiiiiiii
beijoca.
Tha
Difícil é controlar desejos como ansiedade, mas conseguindo é capaz que até consigamos mesmo voar...
borboletas borleteiam a gente...
lindo ^^
tento viver, um dia de cada vez, o cotidiano de Chico, os poemas de Drummond, as cartas de Vinícius, as borboletas de Shakespeare. Não é suficiente.
lindo treecho! e lindo texto
=)
amei!
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